Aplicar a experiência obtida como futebolista às modalidades e à formação do Desportivo das Aves é a missão do atual vice-presidente Joaquim Neves, que anunciou hoje a candidatura às eleições do último classificado da I Liga.

“Naturalmente vou estender isso às outras modalidades, que têm tido os seus êxitos. O sucesso não se consegue só por sermos bonitos ou feios, mas pela competência das pessoas. Já somos uma referência do concelho, mas tentaremos alargar à periferia para trazer os melhores”, explicou o dirigente dos nortenhos, em conferência de imprensa.

Sob o lema “O Aves é dos Avenses”, Joaquim Neves pretende “dar continuidade” ao “patamar alto” do clube no futebol de formação, como atestou a conquista da primeira edição da Liga e da Taça Revelação na última temporada, dinamizando essa aposta nas camadas jovens para alimentar os plantéis seniores de voleibol feminino e futsal.

Outra prioridade é a criação de uma equipa de futebol feminino, a partir da experiência recolhida nos relvados pelo antigo lateral direito, que começou e acabou a carreira ao serviço do Desportivo das Aves, conquistando três campeonatos pelo FC Porto e jogando ainda por Sporting de Braga, Gil Vicente, Belenenses, Marítimo, Chaves e Salgueiros.

“Só esses requisitos já eram bastantes, mas tenho a experiência de ter sido o vice-presidente da formação na última década e acho que esse é o futuro dos clubes em Portugal. Não tomei esta decisão de ânimo leve. Ser presidente do Aves é um desafio e uma responsabilidade muito grande ao mesmo tempo”, reconheceu o empresário.

Internacional português por uma ocasião, Joaquim Neves assume que o emblema do concelho de Santo Tirso está perante “um fim de ciclo”, após o presidente Armando Silva ter recusado em 29 de maio prolongar o trabalho executado desde 2010/11, prometendo um “equilíbrio” nas relações com a sociedade anónima liderada pelo chinês Wei Zhao.

“Não somos melhores ou piores, mas vou ter forçosamente uma forma diferente de lidar e também abordarei esse tema. Quer queiramos quer não, o clube anda um bocado a reboque dos êxitos do futebol profissional. Tentaremos arranjar um entendimento, sempre defendendo os interesses do clube e tudo aquilo que me proponho fazer”, afiançou.

Joaquim Neves, de 49 anos, será coadjuvado por Nuno Almeida (presidente-adjunto), que liderou os avenses entre 1995 e 1996, e terá Benjamim Castro, António Lobão, João Manuel Coelho, Celso Campos e Marisa Martins como vice-presidentes, enquanto João Martins e Joaquim Castro serão designados como tesoureiro e secretário da direção, respetivamente.

Nuno Lima Cardoso e José Fernandes foram escolhidos para chefiar a Mesa da Assembleia Geral e o Conselho Fiscal, numa candidatura que tem como mandatário João Adílio Monteiro e foi formalizada na sexta-feira junto dos serviços do clube, tendo em vista as eleições dos órgãos sociais do Desportivo das Aves para o biénio 2020-2022.

Joaquim Neves junta-se ao presidente honorário António Freitas na corrida ao sufrágio de 27 de junho, que deveria ter ocorrido em 09 de maio e foi suspenso três semanas antes devido à pandemia de covid-19, sendo depois remarcado para o final de junho e deslocado do estádio para o pavilhão do emblema do concelho de Santo Tirso.

Posicionados no último lugar do campeonato, com 13 pontos em 25 jornadas, 12 abaixo da zona de salvação, os nortenhos têm a gestão do futebol profissional entregue ao grupo de investidores ‘Galaxy Believers’, que controla 90% das ações da sociedade anónima desportiva, enquanto o clube detém os restantes 10% desde agosto de 2015.

O Desportivo das Aves tem atravessado uma série de contrariedades desportivas, diretivas e financeiras desde agosto e pode perder dois a cinco pontos pelo atraso salarial verificado entre dezembro de 2019 e fevereiro de 2020, que a SAD justificou com a paralisação da atividade económica na China, motivada pelo novo coronavírus.

O processo seguiu da Liga de clubes para o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol em 03 de abril, originando as rescisões unilaterais do guarda-redes francês Quentin Beunardeau e do avançado brasileiro Welinton Júnior, enquanto a administração do chinês Wei Zhao liquidava verbas aos plantéis principal e sub-23.

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