
A vitória do FC Porto no terreno do Estoril permitiu a Martin Anselmi alcançar o segundo triunfo seguido, algo que ainda não tinha conseguido desde que pegou na equipa azul e branca, em janeiro. O técnico argentino tarda em mostrar serviço, algo que tem deixado apreensivos os adeptos portistas.
Gabriel Silva, treinador-adjunto do Anadia, explicou que nem sempre é fácil para um treinador implementar as suas ideias quando pega numa equipa a meio da época.
"Acho que é sempre difícil um treinador entrar a meio da época e querer incutir as suas ideias, pois não escolheu os jogadores nem as suas características. Isto aliado à de um clube como o FC Porto, que tem de obter resultados imediatos, é compreensível o facto de não estar a realizar uma temporada tão positiva", começou por explicar, numa entrevista exclusiva ao SAPO Desporto.
"Pode pensar-se se não teria sido melhor haver uma maior adaptabilidade da parte do novo treinador, mas a verdade é que foi contratado por aquilo que é, pelas ideias que tem, pela visão a médio prazo, pela capacidade de potenciar jogadores jovens e por ter outra forma de jogar, na questão dos três centrais. Acho que leva o seu tempo e, pelo que me parece, está a ser dado esse tempo", completou.
Instado a comentar a luta pelo título entre Benfica e Sporting, o adjunto de Nuno Manta Santos no Anadia sublinha que não coloca "nenhum à frente do outro", numa luta que será até ao final.
O estágio com Ancelotti e as referência AVB e Mourinho
Apesar de ter apenas 32 anos, Gabriel Silva já tem muita experiência no campo do treino. Numa carreira onde se destaca, a nível académico, uma licenciatura e um mestrado na área do desporto, o jovem técnico conta com uma passagem pelos juniores do SC Braga, pelo Boavista onde foi adjunto de Jorge Simão na Primeira Liga, papel que desempenhou no Desportivo das Aves também na Primeira Liga, além de uma experiência na Arábia Saudita.

A nível de metodologia, garante, retirou "imenso de todos os treinadores" com quem trabalhou, e vai tentar "aproveitar ao máximo o que cada um tem de melhor" para a sua carreira. E quais são as suas referências?
"Em relação à liderança, identifico-me com o mister Carlo Ancelotti, com quem tive a oportunidade de fazer um estágio, pela forma como consegue, através de relações humanas, retirar o melhor de cada jogador e manter o grupo unido em prol de um objetivo maior. Identifico-me também muito com José Mourinho, especialmente naquela capacidade para entrar na mente dos jogadores. Acho que isso é muito importante, ainda mais no futebol atual, onde a comunicação entre jogadores, treinadores, adeptos e imprensa assume um papel cada vez mais relevante. Em termos de jogo, quando iniciei o meu percurso admirava bastante o André Villas-Boas, que agora é presidente do FC Porto. Era a minha maior referência", confessa ao SAPO Desporto.
E que tipo de treinador é Gabriel Silva?
"O mais importante numa equipa minha é o conhecimento dos jogadores, da parte humana, das suas características, do contexto do clube, do seu ADN, e fazer uma boa simbiose entre a ideia de jogo e esses fatores. Se possível, pretendo sempre ter uma equipa que consiga ter a bola no meio-campo adversário, com os olhos na baliza contrária, objetiva, vertical, com muitos movimentos sem bola e que consiga deixar o adversário desconfortável a defender. Além disso, que tenha uma forte reação à perda, de forma a conseguir recuperar a bola o mais depressa possível. Quando o adversário está em posse, procuro que a equipa seja compacta, coesa, perceba os timings e as zonas de pressão para recuperarmos a bola e aproveitarmos o desequilíbrio momentâneo do adversário. Tenciono que seja uma equipa que aproveite os lances de bola parada, que são momentos cada vez mais importantes no futebol moderno, e que saiba ler o jogo", finaliza.
Comentários