O antigo presidente do Sporting Luiz Godinho Lopes quebrou hoje o seu “pacto de silêncio” sobre o clube, num comunicado em que justifica a contratações de 26 futebolistas, “sempre numa ótica de investimento”.

“Todas as contratações de jogadores realizadas durante os dois anos em que estive à frente da SAD foram objeto de escolha criteriosa, sempre numa ótica de investimento”, assegura o antigo dirigente leonino, em comunicado.

O esclarecimento de Godinho Lopes, que presidiu ao Sporting entre 2011 e 2013, ocorre dias depois de o conselho diretivo da SAD do clube ter anunciado a apresentação de uma proposta para a instauração de uma ação cível aos antecessores, na Assembleia-Geral (AG) de 01 de outubro.

Na convocatória para a AG, os atuais responsáveis “leoninos” acusam Godinho Lopes, Luís Duque, José Filipe Nobre Guedes e Carlos Freitas de violarem “culposamente os deveres de diligência e cuidado a que estavam obrigados”, causando assim “à Sporting SAD um prejuízo”.

Contra as “imputações caluniosas” decorrentes desta proposta, que Godinho Lopes entende estar aprovada à partida “dada a maioria esmagadora que o clube detém na SAD”, o antigo presidente recorda que “foram assim contratados 26 jogadores, dos quais 16 internacionais”, referindo-se concretamente à aquisição do hispano-venezuelano Jeffren e os contratos assinados com o russo Izmailov e o peruano Rodriguez.

“Os três jogadores em causa, internacionais, já depois de saírem do Sporting Clube de Portugal, foram avaliados e contratados por outros clubes e dois deles, mesmo depois de terem deixado de envergar a camisola verde e branca, foram chamados às seleções dos respetivos países”, salienta Godinho Lopes, recordando ainda que apenas Luis Aguiar não alinhou na equipa principal “e voltou ao seu país, para salvaguarda das relações com a equipa médica que o operou”.

Para Godinho Lopes, este comunicado “deve ser suficiente para o esclarecimento de quem, de boa-fé, queira abordar este assunto”.

“No entanto, se necessário for, não deixarei de vir a terreiro detalhar as informações que forem entendidas como úteis relativamente ao número de jogadores contratados pela atual SAD, à sua utilização na equipa principal e o mais que seja preciso para efetiva defesa da minha honra e dos que me acompanharam no Clube e na SAD. De momento abster-me-ei de o fazer, pois pretendo apenas esclarecer factos e não criar polémicas, no máximo respeito possível pelo pacto de silêncio que assumi, exclusivamente no interesse do Sporting Clube de Portugal”, remata Godinho Lopes.

A atual administração da SAD considera que na aquisição de Jeffren ao FC Barcelona, em 2011, os antigos administradores ignoraram o alerta dado pelo departamento médico “leonino” da altura, para que o acordo fosse alcançado apenas depois do jogador ser “sujeito a rigorosos exames”.

“Os administradores em questão violaram culposamente os deveres de diligência e cuidado a que estavam obrigados e, em consequência, causaram à Sporting SAD um prejuízo, cujo montante irá ser concretizado pelos serviços jurídicos competentes para o efeito”, lê-se no documento.

Já no caso de Izmailov, a renovação de contrato com o jogador russo resultou num “aumento exponencial dos custos” da SAD “leonina” e, por isso, foi uma “carecida de racionalidade empresarial”.

“O jogador ainda tinha mais dois anos de contrato em vigor, o jogador tinha sido objeto de diversos processos disciplinares, o atleta tinha problemas físicos recorrentes e o rendimento desportivo do jogador desaconselhava a renovação”, defende a administração liderada por Bruno de Carvalho.

Para a administração da SAD do Sporting, a contratação do defesa central Rodriguez também foi desvantajosa, já que os antigos responsáveis (neste caso Carlos Freitas está excluído) voltaram a ignorar o parecer do departamento médico, que “alertou para as evidentes fragilidades físicas do jogador, quer no que concerne à probabilidade de instalação de uma pubalgia (o que obriga a intervenção cirúrgica), quer no que diz respeito ao seu perfil lesional recorrente”.

No dia 01 de outubro, a Assembleia-Geral da SAD do Sporting vai deliberar se a sociedade avança para uma queixa judicial contra estes antigos administradores.

Na mesma data, estará também em discussão a autorização para a emissão, com oferta pública de subscrição, de um empréstimo obrigacionista, até ao montante máximo de 30 milhões de euros.

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