O ex-futebolista João Vieira Pinto, indiciado de fraude fiscal e branqueamento de capitais, garantiu hoje em tribunal que os valores negociados na transferência para o Sporting, em 2000, «foram líquidos» e rejeitou responsabilidades pelo pagamento de impostos.

Na inquirição realizada por Helena Susano, presidente do coletivo de juízes da 6.ª Vara do Tribunal Criminal de Lisboa, João Pinto afirmou que o pagamento de impostos não o preocupou na altura em que a contratação ficou firmada e que «estava implícito que seria com valores líquidos».

«Como jogador livre, após a rescisão com o Benfica, fiz um contrato de 5 milhões de euros (ME) com o Sporting. Chegámos a acordo que me seria pago um prémio de assinatura de 4 ME e, para mim, não havia dúvidas que esses valores eram o que tinha a receber», disse.

João Pinto admitiu que assinou aditamentos para pagamento do prémio de assinatura em três prestações (as duas primeiras de 1 ME cada e a terceira de 2 ME) e revelou que a Sporting SAD lhe disse que o pagamento seria feito através de conta aberta pelo então futebolista no estrangeiro.

«O Sporting disse-me que pagaria menos impostos se eu tivesse uma conta no estrangeiro. Só pagava os 4 ME se eu abrisse a conta no estrangeiro», referiu, acrescentando que «era indiferente» para onde era transferido o dinheiro.

O atual diretor da Federação Portuguesa de Futebol, que assegurou ter aberto uma conta no Banco Dexia, no Luxemburgo, negou também que tivesse tido qualquer «relação profissional com José Veiga», igualmente arguido no processo, juntamente com Luís Duque e Rui Meireles, administradores da Sporting SAD na altura dos factos.

Na sessão de hoje, a quarta, à qual faltou José Veiga por se encontrar no estrangeiro, o ex-jogador de futebol vincou o vínculo de amizade que o liga ao empresário, também vizinho em 2000, pelo que salientou ter "pedido ajuda" ao agente FIFA.

«Quando ele pediu, ele esteve em atos como agente», sublinhou João Pinto, esclarecendo, contudo, que «nunca assinou» contrato com José Veiga e frisando que desconhece qualquer acordo do empresário com o Sporting para receber comissão pela transferência.

João Pinto admitiu ainda ter reclamado, em 2005, parte do prémio de assinatura que não lhe foi pago integralmente na terceira e última prestação acordada e que o valor em dívida foi-lhe liquidado depois de retenção na fonte, no montante de 88 mil euros.

«Entre não receber nada ou algum, aceitei o cheque», disse, observando que, nas transferências anteriores, recebeu as verbas líquidas acordadas, pelo que, reiterou, não lhe competia a ele o pagamento de impostos.

O ex-futebolista disse mesmo que «esperava ser ilibado» no processo e manifestou o desejo de que «as pessoas com quem o contrato foi combinado que assumam».

A próxima audiência está programada para 14 de junho (09:30), com a audição dos arguidos José Veiga, Luís Duque e Rui Meireles (parte para Angola no dia seguinte).

Meireles, presente em tribunal pela primeira vez hoje, será o primeiro a depor na quinta audiência do processo, em que o Ministério Público, que proferiu acusação contra os quatro arguidos em janeiro de 2011, deduziu pedido de indemnização no valor total de 678.490,23 euros.

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