O futebolista Mato Milos entregou um pedido de rescisão unilateral à SAD do Desportivo das Aves, devido a três meses de salários em atraso, confirmou hoje à agência Lusa fonte do último classificado da I Liga.

O defesa internacional croata, de 27 anos, cumpriu 17 jogos e estava vinculado até junho de 2022 à formação do concelho de Santo Tirso, pela qual assinou há um ano, oriundo do Benfica e na sequência de um empréstimo aos polacos do Lechia Gdansk, sendo o 10.º atleta a desvincular-se do Desportivo das Aves por sucessivos incumprimentos salariais.

As saídas dos guarda-redes Quentin Beunardeau e Raphael Aflalo, do defesa Jonathan Buatu, dos médios Aaron Tshibola, Estrela e Pedro Delgado e dos avançados Kevin Yamga, Rúben Macedo e Welinton Júnior reduziram o leque de opções dos nortenhos, que perderam na terça-feira na receção ao Benfica (4-0), da 33.ª jornada.

Mato Milos esteve ausente da ficha do jogo, na qual constavam apenas 18 atletas, 12 dos quais provenientes da equipa sub-23, ao contrário dos defesas Adam Dzwigala e Hélder Baldé, dos médios Bruno Lourenço, Luiz Fernando e Cláudio Falcão e do avançado Mehrdad Mohammadi, melhor marcador, com oito golos em 29 partidas.

A SAD dos nortenhos informou no domingo que não iria comparecer ao duelo com as ‘águias’, devido à anulação da apólice de seguro de acidentes de trabalho, que a direção do clube desbloqueou no dia seguinte, quando venceu o terceiro mês seguido de dívidas salariais, tendo assegurado duas baterias de exames negativos à covid-19.

A formação de Nuno Manta Santos foi impedida de treinar dois dias antes do encontro, no qual os titulares se recusaram a jogar o primeiro minuto e os suplentes abraçaram-se à equipa técnica, enquanto os ‘encarnados’ recriavam-se com o esférico e aplaudiam o gesto de protesto do emblema do concelho de Santo Tirso.

Os futebolistas, treinadores e outros funcionários deslocaram-se em viaturas pessoais até ao estádio no dia do desafio, colmatando o desconhecimento do clube sobre o paradeiro das chaves do autocarro, a cargo da administração de Wei Zhao, que estava estacionado ao lado do veículo que transportou o vice-campeão nacional.

Os jogadores subiram ao relvado pouco depois de a SAD do Aves ter sido absolvida de um processo disciplinar associado ao incumprimento salarial de março a abril, numa decisão do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) idêntica ao desfecho sobre o atraso de vencimentos entre dezembro de 2019 e fevereiro de 2020.

Em 06 de maio, fonte dos nortenhos adiantou à agência Lusa que os salários de março seriam liquidados na totalidade, enquanto 35% das verbas de abril e maio estariam cativadas devido à paragem provocada pelo novo coronavírus, sendo repostas com o regresso da competição, mas a promessa ainda não foi cumprida por Wei Zhao.

A decisão do Conselho de Disciplina da FPF impede uma penalização de dois a cinco pontos, face aos 17 somados em 33 jornadas pelos avenses, que confirmaram a despromoção à II Liga em 29 de junho e despedem-se com a visita ao Portimonense, num jogo da 34.ª jornada, que será arbitrado por Hugo Miguel, da associação de Lisboa.

A SAD ameaçou na sexta-feira faltar à partida marcada para domingo, às 19:30, no Portimão Estádio, de forma a “salvaguardar a transparência na luta pela permanência”, receando “não reunir jogadores suficientes e que garantam uma equipa competitiva”.

Cinco dias depois, a administração recuou na intenção e frisou “estar a desenvolver todos os esforços” para assegurar a visita do Desportivo das Aves ao Algarve e “terminar a temporada com a dignidade e respeito que a instituição merece”, após a direção de António Freitas referir que já estava a tratar da preparação logística do encontro.​​​​​​

Os nortenhos começaram hoje a preparar o embate com o Portimonense, 17.º e penúltimo colocado e primeiro clube abaixo da zona de salvação, com 30 pontos, que luta com Vitória de Setúbal (16.º, com 31 pontos) e Tondela (15.º, com 33) pela permanência.

À mesma hora, a Guarda Nacional Republicana rebocou o autocarro do Desportivo das Aves e arrestou outros bens no estádio, com base numa providência cautelar movida pela construtora Engimov à SAD, que enfrenta uma ação judicial no Tribunal da Comarca de Santo Tirso, assente na destituição dos órgãos sociais desejada pela direção do clube.

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