A Mesa da Assembleia-Geral do Sporting demitiu-se em bloco, confirmou à Lusa o presidente, Jaime Marta Soares.

“Atendendo às recentes movimentações que surgem a todo o momento e a qualquer momento, posso anunciar que a Mesa da Assembleia-Geral se demite em bloco, e também já recebi comunicação do presidente do Conselho Fiscal, de que se iriam demitir, senão todos, alguns que me iriam enviar os pedidos de demissão”, afirmou Marta Soares.

O presidente da Assembleia-Geral justificou a demissão deste órgão com as “previsíveis consequências que possam advir desta instabilidade que está a marcar profundamente a instituição Sporting Clube de Portugal”.

Em declarações à TSF, o presidente da Mesa da Assembleia-Geral garantiu já estar a tratar das diligências necessárias para avançar com a destituição dos órgãos.

"Nenhum dos órgãos sociais do Sporting Clube de Portugal tem o direito de se querer manter no exercício das suas funções, pondo e causando graves prejuízos ao Sporting nessa atitude", afirmou Jaime Marta Soares.

"Há que dar, de imediato, a palavra aos sócios através de eleições para que eles escolham as pessoas certas para estar à frente do destino do Sporting", defendeu. "Esta situação não pode mais manter-se (...). Tem que ser já, de imediato", acrescentou.

"Apelo à direção, ao senhor presidente Bruno de Carvalho, que siga este nosso exemplo, que apresente a sua demissão, e do Conselho Diretivo", disse ainda Marta Soares à agência Lusa.

O presidente e vários membros do Conselho Fiscal e Disciplinar (CFD) do Sporting também apresentaram hoje a demissão e apelaram ao presidente do clube lisboeta, Bruno de Carvalho, e à restante direção que renunciem também aos cargos.

“Tendo em conta os superiores interesses do Sporting Clube de Portugal, que são e sempre foram a nossa maior preocupação, apelamos a que o presidente e os restantes membros do Conselho Diretivo apresentem a sua renúncia ao cargo de forma a permitir a marcação imediata de eleições”, indicam os cinco subscritores do comunicado.

Além do presidente do CFD, Nuno Silvério Marques, e do vice-presidente, Vicente Caldeira Pires, também os membros Vítor Bizarro do Vale, Miguel Almeida Fernandes e Nuno Miguel Santos apresentaram ao presidente da Mesa da Assembleia Geral, Jaime Marta Soares, os pedidos de demissão.

Os subscritores indicam que têm “acompanhado com preocupação os factos ocorridos e que em nada dignificam a história, a imagem e os interesses do Sporting” e que o conselho fiscal não pretende “contribuir para o problema”.

Depois de terem chegado à conclusão que o CFD “não tem competências estatutárias” para retirar o clube da “situação insustentável em que o mesmo se encontra”, Nuno Silvério Marques e os restantes quatro membros decidiram apresentar a demissão.

“Estatutariamente, a resolução passará sempre por uma de três situações: renúncia ao cargo por parte do presidente do Conselho Diretivo, renúncia ao cargo por parte da maioria dos membros do Conselho Diretivo ou convocação de uma Assembleia Geral para a revogação do mandato”, lembram.

Já está quinta-feira, a crise que se vive no Sporting tinha provocado as primeiras baixas. Diogo Orvalho e Eduarda Proença de Carvalho, membros da Assembleia Geral do clube, apresentaram a demissão esta quinta-feira, avança o Correio da Manhã.

Na terça-feira, cerca de 50 pessoas, de cara tapada, alegadamente adeptos ‘leoninos’, invadiram a Academia de Alcochete e, depois de terem percorrido os relvados, chegaram ao balneário da equipa principal, agredindo vários jogadores, entre os quais Bas Dost, Acuña, Rui Patrício, William Carvalho, Battaglia e Misic, o treinador Jorge Jesus e outros membros da equipa técnica.

Na sequência da invasão à Academia ‘leonina’, a GNR deteve 23 suspeitos, apreendeu cinco viaturas ligeiras, vários artigos relacionados com os crimes e recolheu depoimentos de 36 pessoas, entre jogadores, equipa técnica, funcionários e vigilantes ao serviço do clube.

O Ministério Público disse na quarta-feira que os detidos pelas agressões a futebolistas do Sporting são suspeitos de práticas que podem configurar crimes de sequestro, ameaça agravada, ofensa à integridade física qualificada e terrorismo, entre outros.

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