O presidente da SAD União de Leiria, Alexander Tolstikov, e o seu assessor Sergiu Renita foram libertados, mas ficaram sujeitos a apresentações periódicas às autoridades, por decisão judicial, disse hoje à agência Lusa fonte ligada ao processo.

Segundo a mesma fonte, o empresário russo Alexander Tolstikov e o seu assessor Sergiu Renita ficaram ainda sujeitos a outras medidas de coação, designadamente proibição de se ausentarem para o estrangeiro e de contactarem outros arguidos no processo.

Outra fonte precisou à Lusa que os dois arguidos, em prisão preventiva desde 07 de maio deste ano, estão em liberdade desde sexta-feira passada, por decisão do juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC) Carlos Alexandre.

A decisão do juiz Carlos Alexandre surgiu depois de o Ministério Público ter proposto a atenuação das medidas de coação impostas a estes dois arguidos, os únicos em prisão preventiva no âmbito da Operação “Matrioskas”.

A investigação teve início em 2015 e está relacionada com a presumível prática dos crimes de branqueamento, fraude fiscal, falsificação de documentos e associação criminosa envolvendo cidadãos portugueses e estrangeiros, correlacionados com a atividade desportiva.

No início de maio, elementos da PJ e do Ministério Público realizaram buscas nas regiões de Leiria, Lisboa e Braga, tendo apreendido “material com relevante interesse probatório” e constituído seis arguidos (pessoas singulares e empresas).

As buscas envolveram 22 equipas da PJ, abrangeram os estádios de futebol de Braga e Leiria, a SAD da União de Leiria, do Sporting Clube de Portugal e do Sport Lisboa e Benfica, assim como residências particulares, empresas, veículos, escritórios de contabilidade e um escritório de advocacia, referiu, na altura, a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Uma fonte então contactada pela agência Lusa garantiu existirem suspeitas de lavagem de dinheiro proveniente de crime organizado da Rússia, com passagem por um país do Báltico, que depois seria investido na SAD da União de Leiria.

Na altura, além do presidente da SAD da União de Leiria e do assessor foi também detido o diretor financeiro da SAD, Pedro Violante.

Um dia após a operação “Matrioskas”, o Serviço Europeu de Polícia - a Europol - considerou que a “Operação Matrioskas” permitiu desmantelar uma presumível célula de uma importante rede mafiosa russa, responsável pelo branqueamento de “muitos milhões de euros”, desde 2008.

O Serviço Europeu de Polícia, com sede em Haia, explicou então que a forma de atuação do grupo criminoso consistia em identificar clubes de futebol da União Europeia, em dificuldades financeiras, “infiltrando-os” através de “benfeitores”.

Segundo a Europol, os chamados “benfeitores” orquestravam a compra das SAD dos clubes, através de “testas de ferro” de redes “opacas e sofisticadas”, invariavelmente com empresas registadas ‘offshore’ e paraísos fiscais.

A 07 de maio, Alexander Tolstikov e Sergiu Renita ficaram em prisão preventiva, enquanto o diretor financeiro da SAD da União de Leiria ficou sujeito a apresentações periódicas, suspenso de funções e impedido de contactar responsáveis do clube ou da SAD, segundo as medidas de coação divulgadas na altura.

Na altura, Joaquim Malafaia, advogado de defesa de Alexander Tolstikov e Sergiu Renita, disse que ia recorrer das medidas de coação impostas aos seus constituintes.

*Notícia atualizada às 18h00

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