Marcel Keizer não precisou de muito tempo para conquistar os adeptos do Sporting. O seu futebol marcadamente ofensivo - 30 golos e sete vitórias em outros tantos jogos -, com bola e em velocidade, era uma lufada de ar fresco no campeonato português e deixava antever um sério candidato ao título. O estado de graça acabou, porém, ao oitavo jogo. Seguiram-se duas derrotas em Guimarães e Tondela e uma abordagem mais conservadora ao clássico com o FC Porto, a mostrar que o treinador holandês também tinha um lado pragmático. Este sábado, frente ao Moreirense, as duas caras deste Sporting de Keizer estiveram lá. Em partes distintas do jogo.

Os 'leões' entraram bem e rapidamente chegaram à vantagem, graças a um desvio de cabeça de Nani (3') após um canto de Acuña na esquerda. Ao minuto 26 Bruno Fernandes deu mais tranquilidade à equipa, na recarga a um remate de Ristovski defendido por Jhonatan, numa sequência que começou com um cabeceamento de Diaby à trave. O médio português já fez tantos golos esta época como em toda a anterior e já é o melhor marcador do Sporting a par de Bas Dost - noite pouco inspirada do ponta de lança.

Do outro lado do campo, o Moreirense jogava de forma aberta, com Ivo Vieira a manter as quatro unidades mais móveis na frente - Arsénio, Chiquinho, Pedro Nuno e Heriberto Tavares -, repetindo a fórmula com que ganhou ao Benfica na Luz (só não jogou o último, precisamente por estar cedido pelos 'encarnados'). No entanto, a pressão alta dos homens de Keizer limitava as saídas dos cónegos, ao mesmo tempo que colocava um maior número de jogadores no último terço. Por esta altura, o Sporting dispôs de uma excelente ocasião para fazer o terceiro, mas Bas Dost (31') falhou aquilo que não costuma falhar na área.

O conforto do 2-0 deixou os 'leões' mais expostos e após um lance onde a equipa da casa ficou a pedir falta sobre Bas Dost, Chiquinho, que já tinha tentado de longe mas à figura de Renan, entrou na área pela direita, foi até à linha de fundo e cruzou rasteiro para Heriberto Tavares (34'), que só teve de encostar. A partida estava relançada e o Moreirense mostrava o porquê de ser a equipa sensação deste campeonato.

Só que o dinamismo da primeira metade deu lugar a um segundo tempo insípido, com a velocidade do jogo a cair drasticamente e o Sporting mais preocupado em conservar a vantagem do que em aumentá-la. Ivo Vieira, para quem "perder por poucos não faz parte do cardápio", procurou ganhar poder ofensivo com as entradas de Bilel e Nenê, mas o Moreirense continuava sem a acutilância de outros jogos, mesmo circulando a bola no chão - mérito também na forma como Mathieu foi afastando o perigo da baliza de Renan.

Já Marcel Keizer tirou Nani de campo e lançou Raphinha, que ainda fez Alvalade gritar golo (80'), mas o lance foi invalidado por fora de jogo. No meio de tantas 'cautelas e caldos de galinha', salvaram-se os três pontos que permitem aos 'leões' manter distâncias para o trio da frente.

A figura

Mathieu: Diz muito de um jogo quando o melhor jogador da equipa vencedora é um defesa central. Aos 35 anos, Mathieu continua a mostrar uma disponibilidade física invulgar e esteve praticamente irrepreensível do ponto de vista defensivo. Com bola, foi importante na construção ofensiva dos 'leões'. Nota positiva também para Bruno Fernandes, sempre consistente, e para Chiquinho, o mais inventivo dos cónegos.

Reações

Keizer assume que Sporting "não fez uma boa segunda parte" frente ao Moreirense

Mathieu: "Na segunda parte não se jogou futebol"

Ivo Vieira: "Demos dois golos de vantagem"

Heriberto e a derrota em Alvalade: "Não entramos muito bem no jogo, um pouco receosos"

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