Mehdi Taremi recorreu esta quarta-feira às redes sociais para explicar aos compatriotas iranianos a sua posição face aos protestos que surgiram no seu país natal na sequência da morte de Mahsa Amini.

Os protestos começaram na sexta-feira, dia 16, quando a morte de Amini foi conhecida, após ser presa pela polícia da moralidade iraniana por, alegadamente, usar o véu de forma errada, e têm-se espalhado desde então pelo país.

Numa publicação no Instagram, intitulada "Viva o Irão e os iranianos", o avançado do FC Porto refere que não se sente triste por "ver e ler as críticas duras" que lhe têm sido feitas por alguns compatriotas.

"Não é necessário dizer que sou uma dessas pessoas. É por isso que por estes dias não me sinto triste por ver e ler as críticas duras de muitos de vós, meus caros compatriotas, acerca de mim. Porque vocês conhecem-me como um de vós e têm o direito de escrever o que quiserem sobre este pequeno membro da vossa família", começou por escrever.

"O meu dever, a minha responsabilidade e o meu trabalho é fazer as pessoas felizes. Aquele que trabalha pela felicidade dos seus compatriotas nunca vai suportar ver a sua infelicidade. Os acontecimentos das últimas noites não são dignos de pessoas nobres. Não era o Irão. Fiquei envergonhado ao ver certos vídeos, especialmente mau comportamento e violência contra mulheres", lamentou.

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Taremi deixou ainda uma pergunta e um apelo aos responsáveis do seu país: "Em que língua temos de levantar os nossos problemas e preocupações para sermos ouvidos? Os oficiais têm o dever de oferecer bem-estar e conforto ao honorável povo do Irão. Violência e uso de força contra pessoas não resolve qualquer problema e, sob qualquer forma, não é aceitável."

Recorde-se que o avançado portista, assim como os seus companheiros de seleção, usaram um casaco preto sobre o equipamento aquando do hino do Irão na partida desta terça-feira, contra o Senegal, em sinal de protesto contra os mais recentes acontecimentos no seu país.

Após a morte de Mahsa Amini, surgiram várias manifestações no Irão. Nas redes sociais circulam vários vídeos de mulheres iranianas a cortarem o cabelo e a apelar ao fim da fim da discriminação. A Polícia tem estado na rua a reprimir as manifestações e, até ao momento, há centenas de detenções e dezenas de mortes.

Mahsa Amini, mulher de 22, natural do Curdistão iraniano, morreu no dia 16 de setembro, três dias depois de ter sido presa sob a acusação de não estar a usar o hijab (véu que cobre a cabeça e, em alguns casos, os olhos) de forma correta, não cumprindo assim uma das normas mais estritas respeitantes ao código de vestuário imposto às mulheres na República Islâmica do Irão desde 1979.

Segundo um balanço feito pela agência de notícias iraniana Fars, cerca de 60 pessoas, entre manifestantes e membros das forças de segurança, foram mortas desde o início do movimento de protesto, que começou a 16 de setembro.

O movimento espalhou-se por várias cidades iranianas e alguns manifestantes lançaram ‘slogans’ antigovernamentais, refere a comunicação social local. As autoridades acrescentam que, desde o dia 16, foram detidos mais de 1.200 manifestantes, incluindo mulheres.

Os iranianos voltaram a sair às ruas na terça-feira, pela 12.ª noite consecutiva, apesar da forte repressão.

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