Fernando Tavares Pereira assegurou que a sua candidatura à presidência do Sporting é para levar “até ao fim” e prometeu não receber qualquer vencimento dos ‘leões’ caso seja eleito presidente no próximo sábado.

Em entrevista à Lusa, o empresário, de 62 anos, assumiu uma campanha menos mediática e com os pés assentes nos núcleos do clube espalhados pelo país, sem deixar de defender um trabalho eleitoral “de responsabilidade” e imune aos estudos que o apontam como um dos candidatos com menores intenções de voto.

“Não abdico para ninguém da minha candidatura. Vou até ao fim, porque nunca deixei ficar quem me acompanha em situações delicadas e que amanhã pudessem dizer que nós não cumprimos. Ninguém vai dizer isso de nós”, adiantou, sublinhando que “o Sporting não precisa de mais amadorismos” no futuro.

“Penso que a nossa candidatura é a única que pode receber todos os outros candidatos. Vamos para servir o Sporting, não para nos servirmos a nós. E há outra coisa que quero dizer: não quero vencimento nem da SAD, nem do Sporting. Enquanto o Sporting estiver na situação em que está, precisa de apoio. Eu abdico do vencimento em prol do Sporting”, prometeu.

O líder da lista G lamentou a “falta de gestão e de resultados” e a “desunião” que têm marcado o passado recente do Sporting e fez um alerta para a importância de se pensar em cenários de segunda volta, por considerar que “pode haver um vencedor destas eleições com 15 ou 20% dos votos a representar 100%” do universo sportinguista.

Na sua visão do futuro do Sporting, Tavares Pereira asseverou que o clube vai manter e até reforçar a sua posição maioritária na SAD ‘leonina’, dando o exemplo da atual situação do Belenenses, com duas equipas a jogarem com o mesmo nome em escalões diferentes.

“O Sporting não pode perder a maioria da SAD. É uma situação que já temos cá em Portugal, como é o caso do Belenenses. Está à vista de todos que os interesses se sobrepõem ao que quer que seja. Comigo lá, o Sporting nunca vai perder a maioria da SAD, pelo contrário. Vamos tentar ir buscar mais, para que não haja problemas”.

Sem deixar de reconhecer a falha de um “saneamento financeiro” profundo do Sporting nos últimos anos, o empresário advertiu que, por enquanto, existem ainda meios para dar resposta às necessidades e que conta com a parceria de “entidades nacionais e estrangeiras” dispostas a ajudar os ‘leões’.

“O Sporting ainda tem garantias para dar em troca de algum financiamento que seja necessário. Tem as colaterais da NOS, ainda existirá cerca de 340 milhões de euros (ME). Não é fácil, mas ainda temos garantias para dar e que fazem face aos cerca de 100 ME que são necessários para o empréstimo obrigacionista e para o curto prazo”, esclareceu.

Contudo, Tavares Pereira confirmou que a resolução das dificuldades financeiras não será feita à custa da imposição de sacrifícios nas modalidades, depois de uma época coroada com os títulos nacionais de andebol, hóquei em patins, voleibol e futsal, apesar das notícias que alegaram a existência de um fosso entre o investimento realizado e o seu retorno.

“Quem diz isso é quem nada ganhou: os nossos adversários. Os prejuízos não foram grandes. Não chegou a um milhão de euros com as vitórias que tivemos. O que o Sporting tem de ter é mais publicidade para colmatar esses prejuízos. E é a SAD que tem de pagar ao Sporting o ‘know how’ que tem, não o contrário. Nem tudo foi mal feito e as modalidades vão continuar. Pode haver um ou outro reajustamento, mas são casos pontuais”, finalizou.

As eleições no Sporting estão marcadas para sábado.

Além de Fernando Tavares Pereira (lista G), concorrem ao ato eleitoral João Benedito (A), José Maria Ricciardi (B), Frederico Varandas (D), Rui Jorge Rego (E) e José Dias Ferreira (F).

Madeira Rodrigues avançou com uma candidatura mas acabou por desistir a favor de Ricciardi.

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