Henrique Nunes, treinador que esta época conduziu o Arouca ao regresso à II Liga portuguesa de futebol, partilhou que "os festejos de subida no sofá não tiveram o mesmo sabor", mas vincou a importância "do objetivo ter sido cumprido".

O conjunto do distrito de Aveiro liderava a Série B do Campeonato de Portugal quando a prova foi dada como terminada, devido à pandemia de covid-19, tendo sido escolhida pela Federação Portuguesa de Futebol, para, juntamente com o Vizela, regressar aos escalões profissionais.

"Quando em 2010 consegui a primeira subida do Arouca aos campeonatos profissionais, fizemos uma festa tremenda. Desta vez, foram festejos no sofá, que não tiveram o mesmo sabor. Mas mesmo sem a tal alegria e espontaneidade, ficámos contentes por atingir o objetivo da época", partilhou com a Agência Lusa o experiente técnico, de 65 anos.

Apesar da satisfação pela promoção da sua equipa, Henrique Nunes defendeu que o modelo encontrado pela Federação Portuguesa de Futebol para definir quem subiria de escalão podia ter sido mais abrangente.

"Na havendo jogos, a decisão tinha de ser tomada, premiando o Arouca e Vizela que tinha, mais pontos e foram mais regulares. Mas o Praiense [Série C] e o Olhanense [Série D] são tão primeiros com nós. Se nos colocarmos no lugar deles, sentiríamos a frustração e injustiça. Creio que se podia ter feito algo mais para que as quatro equipas fossem premiadas", partilhou o treinador.

Henrique Nunes confessou ter sentido "algum receio" quando as competições foram interrompidas e se instalou a incerteza na definição da época, mas concordou que "foi correto não se realizar o resto dos jogos".

"Quando os campeonatos começaram a parar em Portugal e por toda a Europa, percebemos que as coisas eram bem mais graves. Pensei que ia ser tudo anulado, e o nosso trabalho de uma época ia por água abaixo, mesmo com a vantagem de oito pontos que tínhamos no primeiro lugar. Não foi fácil lidar com isso", confessou.

O técnico tinha sido contratado no início da temporada para repor o Arouca nos campeonatos profissionais, depois de uma queda, em três anos, da I Liga para o Campeonato Portugal, algo que considerou ter sido um dos maiores desafios da carreira.

"Tínhamos um grupo de jogadores que estavam descontentes por terem descido, mas, com calma, conseguimos convencê-los a ficar no clube com o objetivo da subida. Formámos um plantel muito bom, que demonstrou a força do coletivo", analisou.

Henrique Nunes acredita que a conjugação dos elementos jovens com os mais experientes faz com que muitos dos jogadores que compuseram o plantel possam transitar para a próxima época, com capacidade para apontar a objetivos ainda mais ambiciosos.

"O Arouca, pelo seu passado recente, onde até teve uma passagem pela Liga Europa, algo que poucos emblemas portugueses conseguiram, é um clube dos escalões profissionais. É esse o seu lugar e tem todas as condições para tal. Acredito que o presidente, com o seu entusiasmo, vai fazer tudo para recolocar a equipa na I Liga", antecipou.

Ainda assim, esta passagem de Henrique Nunes pelo emblema arouquense terminou com a subida, uma vez que o contrato com o experiente técnico não foi renovado.

"Entendemos que era benéfico para ambas as partes terminar o vínculo. Espero que depois destas duas épocas de sucesso, em que tive êxitos no Águeda e no Arouca, surja um novo projeto aliciante", partilhou o experiente técnico.

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