“O curso que tirei o ISEL trouxe-me muita coisa em termos de liderança. Por ter vivido essa fase da minha vida, de reuniões gerais com 2.000 e 3.000 alunos, que suscitavam exercícios de liderança, ajudou-me muito, mais tarde, na minha área de atividade como engenheiro e mais tarde passou a ser fundamental para o futebol, quer como jogador quer como treinador”, explicou Fernando Santos, que foi hoje condecorado pelo ISEL na sessão solene de abertura do ano letivo.

O treinador que conduziu Portugal ao título de campeão europeu, entrou no ISEL em outubro de 1972, há 44 anos, para se formar em engenharia eletrotécnica, na vertente de eletrónica e telecomunicações, concluindo o curso em 1977, e recebeu hoje a condecoração de mérito pelas mãos do presidente da instituição, Jorge Sousa, na presença de cerca de 200 alunos.

Antes da condecoração foram projetadas inúmeras imagens de Fernando Santos dos seus tempos de estudante universitário, na companhia dos seus colegas de então, a maioria dos quais marcou hoje presença na cerimónia, num filme que terminou com imagens do golo de Éder à França na final do Euro2016 e de Cristiano Ronaldo a abanar o selecionador nos momentos que antecederam o apito final do árbitro, o que levou o auditório ao rubro.

No final da cerimónia, na qual contou algumas histórias dos seus tempos académicos que puseram o auditório a rir, Fernando Santos confessou ter vivido um fim de tarde emocionante e cheio de surpresas.

“Tenho aqui vinte e tal amigos dessa altura, gente que não via há muitos anos, sabia que um ou outro viria, mas não esperava que viessem tantos. Está praticamente a turma toda, o que me deixa emocionado, uns que não via há quarenta e tal anos, outros que não via há doze, quando estivemos cá em 2002. Há outros que vejo todas as semanas porque há um grupo de sete ou oito que partilham a minha vida normalmente”, afirmou.

Revelou ter recusado vários convites para ser homenageado após a conquista do Euro2016, mas a este não podia dizer que não: “Entrei aqui um ano e meio antes do 25 de abril, vivi muitas coisas boas, formei-me como homem, tive um primeiro contato com uma realidade que não conhecia. O ante-25 de abril e o pós-25 abril”.

Negou que recorresse a cábulas: “Não, era bom aluno, nunca chumbei, nem nunca fui a exame, com exceção de uma disciplina, que não vou dizer qual. Quando cheguei aqui era um aluno com média de 15 a 16, mas nos últimos dois, três anos, do curso deixei-me ir um bocadinho abaixo porque o futebol começou a puxar por mim”, recordou o selecionador nacional, reportando aos tempos em que passou a ser futebolista profissional do Estoril, na então primeira divisão.

Por causa do futebol, a média baixou para 13 valores porque, segundo o selecionador nacional, “era muito difícil conciliar”, razão pela qual acabou por concluir o curso com a ajuda dos colegas que eram verdadeiros amigos.

“Tínhamos um apartamento onde nos fechávamos duas ou três noites seguidas a estudar. Nessa altura foi quando mudou o paradigma do ensino e havia muitos trabalhos de grupo. Hoje vocês estão habituados a isso, mas na altura o ensino era muito individual. Como eu jogava à bola, vinha pouco às aulas, principalmente às teóricas, que não eram obrigatórias, e os professores, quando havia trabalhos de grupo, só me faziam perguntas a mim. O que me obrigava a estudar duas e três noites seguidas para não deixar mal os meus colegas”, contou Fernando Santos, que guarda “ótimas recordações desses anos, que considera “muitos importantes” na sua vida.

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