O Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE/IUL) organizou hoje um colóquio de homenagem aos ‘magriços’, com a presença dos antigos internacionais José Augusto, José Carlos e Hilário, que partilharam algumas histórias do Mundial1966, que celebra o seu quinquagésimo aniversário.

Entre elas, a reação do treinador brasileiro Otto Glória quando chegou ao balneário, ao intervalo do Portugal-Coreia do Norte, no qual a seleção lusa perdia por 3-2, depois de ter estado a perder por 3-0, contada por Hilário.

“O Otto Glória entrou no balneário a ranger os dentes, tirou a gravata e o casaco, pendurou-os e virou-se para nós: ó meus filhos da mãe (expressão suavizada por Hilário, segundo o próprio)!, vocês sabem que sou brasileiro e que quando chegar ao Brasil me vão cortar o pescoço por Portugal lhes ter ganhado. Agora estão a perder contra uns coreanos que ninguém sabe quem são. Não vou dizer mais nada, quero que vão lá para dentro e que ganhem a porcaria do jogo”, recordou Hilário.

O ‘magriço’ José Augusto relembra uma expressão usada por Otto Glória no balneário: “Deram-me a maior alegria da minha vida ao ganharem aos meus irmãos brasileiros e agora estão a perder para esta equipa do Walt Disney…”

Em boa verdade, não era bem uma equipa dos desenhos animados, como lembrou o mesmo José Augusto: “A Coreia do Norte esteve dois anos a preparar-se para o Mundial na antiga República Democrática da Alemanha, a participar no campeonato daquele país, jogando contra as equipas da Alemanha de Leste, com todos os meios à disposição.”

A mudança de palco da meia-final com a Inglaterra, que estava prevista para Liverpool, onde Portugal estava, e acabou por se disputar em Wembley por cedência da FPF à Federação Inglesa, foi duramente criticada pelos três ‘magriços’, mas Hilário não foi de meias palavras: “Os diretores da FPF venderam o jogo aos ingleses. Pela pontuação que tivemos, era a Inglaterra que teria de se deslocar a Liverpool. Tivemos de fazer uma viagem de 300 quilómetros de comboio e ficámos num hotel duvidoso, com as ‘meninas’ a passearem, foi tudo programado pela Federação Inglesa. No fim do jogo, o Eusébio abraçou-me a chorar e disse-me: Hilário, fomos enganados!”

José Augusto corroborou as suspeitas do antigo lateral esquerdo do Sporting: “A Federação Inglesa deve ter pago um bom dinheiro. A sede da FPF era ali no Marquês de Pombal, umas instalações exíguas, e depois do Mundial passou para a Praça da Alegria, com condições excelentes.”

O único que se atreveu a dar uma ‘bicada’ na equipa técnica constituída pelo selecionador Manuel da Luz Afonso e no treinador Otto Glória foi o antigo central do Sporting, José Carlos: “Houve jogadores que tinham qualidade e que podiam ter jogado mais para poupar os titulares. Faltou alguma coragem ao selecionador. Na meia-final, foi evidente o cansaço de alguns dos mais utilizados, como o caso flagrante do António Simões, que falhou o 2-2 na meia-final com a Inglaterra por nítido cansaço. O [Fernando] Peres era excelente e estava motivado.”

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