Várias dezenas de responsáveis de clubes das I e II divisões de Itália, além do diretor geral do Paris Saint-Germain, estão sob investigação por fraude fiscal e falsificação de contas, anunciou hoje a Procuradoria de Nápoles.

Segundo um comunicado do procurador adjunto, Vincenzo Piscitelli, o inquérito em curso, a cargo da polícia financeira, ‘batizado’ com o nome ‘fora de jogo’, revelou uma vasto sistema destinado a ludibriar o fisco e evitar o pagamento de impostos.

No total, estão envolvidos 35 clubes da Serie A (I divisão italiana) e da Serie B (II divisão), bem como uma centena de pessoas, incluindo jogadores e respetivos empresários, segundo o Procurador napolitano.

“Foram apreendidos ativos no valor de 12 milhões de euros”, disse o procurador e, de acordo com os primeiros dados recolhidos na investigação, o sistema estava montado para escapar de forma sistemática ao pagamento de impostos ao Estado italiano, em particular nas transferências de jogadores que envolvem elevadas somas de dinheiro.

Os jogadores e empresários envolvidos são suspeitos de fornecer faturas falsas pelos serviços prestados aos clubes, sendo que esses empresários, muitos deles argentinos, usaram contas bancárias de empresas de fachada localizados em paraísos fiscais, beneficiando das diferentes leis que existem em Itália, país de onde provinha o dinheiro, e a Argentina, residência fiscal das respetivas sociedades.

Aurelio de Laurentiis e Claudio Lotito, presidentes do Nápoles e da Lazio, e Adriano Galliani, vice-presidente do AC Milan, ou o treinador argentino do Modena (II divisão), Hernan Crespo, estão entre os 58 implicados no escândalo, por factos ocorridos entre 2009 e 2013, revelou o procurador de Nápoles.

O jogador argentino Ezequiel Lavezzi, do PSG, que foi jogador do Nápoles entre 2007 e 2012, também está envolvido, bem como o diretor geral do clube parisiense, Jean-Claude Blanc, que exerceu as mesmas funções na Juventus.

Uma fonte próxima do processo assegurou à agência France Presse que ambos não são alvo do inquérito no âmbito da transferência do argentino do Nápoles para o PSG em 2012, mas porque estavam em Itália à altura dos factos.

No caso de Lavezzi, estão em causa as duas declarações de rendimentos quando estava ao serviço do Nápoles e quanto a Jaen Claude Blanc é implicado numa transferência de um jogador da Juventus para o AC Milan, no caso o italiano Nicola Legrottaglie, em 2011.

“O inquérito não visa o montante da transferência, mas o pagamento de uma comissão de 100 mil euros ao empresário do jogador. A autoridade fiscal considerou que esta comissão não devia ter sido paga”, explicou fonte próxima do processo.

Outros argentinos, incluindo o ex-ponta de lança do Inter de Milão Diego Milito, e o avançado alemão German Denis, do Atalanta, também estão implicados.

A polícia financeira italiana realizou nesta terça-feira a uma série de pesquisas no âmbito deste inquérito, em particular na sede do AC Milan.

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