19 de janeiro de 2003. Na última vez que o FC Porto marcara dois golos no mesmo jogo por jogadores da formação, Durão Barroso era primeiro-ministro. José Mourinho era o treinador e Jorge Costa foi o autor desses dois golos, num triunfo por 3-1 diante do Belenenses. Já para descobrirmos a última vez em que o FC Porto conseguiu o mesmo feito por jogadores diferentes, temos de viajar até 6 de janeiro de 2001. António Folha e Domingos Paciência marcaram então os dois golos dos 'dragões' numa vitória por 2-1 sobre o Estrela da Amadora. António Guterres liderava o Governo e Fernando Santos era o treinador do FC Porto.

Desde então passaram doze técnicos pelo banco portista e nunca mais se viu um jogo com tanta preponderância da formação na ficha de marcadores. Até esta quarta-feira, noite em que Rúben Neves e Sérgio Oliveira foram protagonistas. Com os dois melhores golos dos três apontados pelo FC Porto em Barcelos, os jovens médios abriram e fecharam um resultado convincente para a equipa comandada agora por José Peseiro.

Perante uma equipa que agora disputa o segundo escalão, o treinador portista apostou num onze com bases sólidas mas com um ataque renovado. Varela, Suk e Marega formaram um novo tridente 'azul-e-branco', com um trio de meio-campo composto por Rúben Neves, Danilo e um Brahimi em jeito de '10' - a posição que, até ver, constitui a grande alteração tática de Peseiro em comparação com Lopetegui. Com o ataque a acusar a falta de rotinas e a fase de adaptação dos reforços, principalmente no primeiro tempo, coube ao 'miolo' com dois terços de sangue português assumir o jogo. E seria um português de apenas 18 anos a desbloquear o encontro numa fase em que, diz a tradição, um golo é muitas vezes letal para o adversário: bem em cima do intervalo. Bola à entrada da área e remate rasteiro certeiro, no primeiro momento de brilho do encontro.

Além do golo apontado, Rúben Neves sai do encontro como um dos jogadores com uma exibição mais sólida, graças ao trabalho conjunto com Danilo Pereira. Os dois formaram uma dupla dinâmica na recuperação e transporte do jogo, tentando compensar de forma segura a falta de atrevimento dos homens das alas, Varela e Marega, e os erros frequentes do médio-ofensivo Brahimi. Outro jogador a sair da partida altamente valorizado, porém, é Sérgio Oliveira, também ele um filho do Dragão.

Chamado a ocupar o lugar de Brahimi, Sérgio chegou-se à frente e assumiu desde logo a cobrança do livre à entrada da área gilista. Sem medos, arriscou o remate e registou assim o grande momento do encontro, com uma bola indefensável para Serginho. O médio teria ainda oportunidade para obrigar o guarda-redes do Gil Vicente a uma grande defesa já perto do final da partida.

Além dos dois médios portugueses, merecem ainda notas de destaque o sul-coreano Suk, que se estreou a marcar num jogo em que se demonstrou sempre batalhador, e o mexicano Miguel Layún, como vem sendo hábito. O lateral mexicano é cada vez mais preponderante no ataque portista e demonstrou-o mais uma vez ficando diretamente ligado a todos os golos do FC Porto. Mais uma exibição de qualidade a nível ofensivo, compensando as desatenções em zonas mais recuadas.

Um triunfo justo, como frisou José Peseiro, que admitiu que o resultado tranquiliza a equipa para a segunda mão. Já o treinador da equipa da casa, Nandinho, ficou muito próximo de atirar a toalha ao chão e de dizer adeus à Taça de Portugal.

Os 'dragões' ficam próximos de garantir a ida ao Jamor, cinco anos depois da última presença na final da Taça. A fome de títulos dos adeptos portistas aperta e este parece ser o troféu mais acessível para os 'azuis-e-brancos', pelo que Peseiro dificilmente irá facilitar nos dois jogos que restará jogar na prova.

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