O presidente do Comité Paralímpico de Portugal (CPP) classificou hoje a carta aberta enviada ao primeiro-ministro “um novo alerta” para os impactos negativos da pandemia de covid-19 no desporto, sobretudo ao nível da formação e dos clubes.

“Continua a não haver uma resposta do Governo para um problema que se agudiza a cada dia no que diz respeito aos clubes e à formação”, disse José Lourenço, em declarações à agência Lusa.

O presidente do CPP lembrou que está a ser “viabilizada a prática desportiva no escalão sénior, mas não nos restantes escalões”

“Tem de haver uma resposta rápida, sob pena se perderem muitos jovens talentos e de muitos clubes fecharem a sua atividade por falta de meios financeiros”, referiu.

José Lourenço teme que a ausência de prática desportiva desde março possa criar ainda mais problemas na renovação do desporto paralímpico em Portugal: “Já temos um problema grave em termos de renovação e assim tudo fica pior. Não haver um estímulo à prática desportiva por parte dos jovens vai deixar marcas por muitos anos”.

José Lourenço frisou que os problemas se fazem sentir, sobretudo, na formação e nos clubes, uma vez que “ao nível do alto rendimento, nomeadamente no que diz respeito aos projetos de preparação paralímpica e olímpica não há falhas, e os financiamentos continua a ser pagos”.

O CPP, juntamente com o Comité Olímpico de Portugal (COP), e a Confederação do Desporto de Portugal (CDP) enviaram hoje uma carta aberta a António Costa, na qual alertam para a crise criada pela pandemia provocada pelo novo coronavírus, e para o seu “impacto social, económico, cultural e político” no setor do desporto, devido à ausência de respostas.

“A situação pandémica deu origem a uma crise desportiva. E esta requer uma resposta política através de iniciativas públicas robustecidas pela excecionalidade da situação. O que se constata é a ausência de medidas adequadas ao que a situação exige”, lê-se na missiva.

Na carta aberta enviada hoje a António Costa, a que a agência Lusa teve acesso, as três estruturas consideram “que, para o Governo de Portugal, não está a ser tomado em devida conta o impacto social, económico, cultural e político que o desporto representa”.

As três estruturas entendem que “ao contrário de outros países europeus, e de outros setores nacionais igualmente expostos ao impacto da crise, por força do cancelamento das suas atividades, constata-se que não foram até hoje implementadas ou acolhidas quaisquer medidas propostas com impacto direto no desporto”, e consideram que “a proposta de lei do Orçamento do Estado para 2021 é o exemplo mais recente dessa desconsideração”.

Com a declaração de pandemia, em 11 de março, as competições desportivas foram disputadas sem público, canceladas ou adiadas – casos dos Jogos Olímpicos Tóquio2020, do Euro2020 e da Copa América – ou suspensos, nos casos dos campeonatos nacionais e provas internacionais de todas as modalidades.

A pandemia de covid-19 já tinha levado à suspensão das competições de futebol, em 12 de março, tendo a I Liga sido retomada em 03 de junho, e ao cancelamento das competições seniores das modalidades de pavilhão, sendo que as camadas jovens ainda não retomaram as provas.

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