O desporto português tem cultivado ao longo das últimas décadas dinastias familiares de relevo nacional e internacional, atravessando atletas, treinadores e dirigentes, numa lista encabeçada pelo clã Mourinho no futebol.

Figura dos relvados nacionais na segunda metade do século XX, o ex-guarda-redes e treinador Félix esteve na base da ascensão de José, protagonizada nos bancos desde a viragem do milénio e assente em 25 títulos conquistados e numa personalidade diferenciada.

Ao contrário do pai, o treinador do Tottenham jamais integrou a seleção nacional, na qual pontificaram alguns pares intergeracionais, como José Águas, bicampeão europeu pelo Benfica em 1960/61 e 1961/62, e Rui, ex-avançado dos ‘encarnados’ e do FC Porto.

Outros herdeiros são Miguel Veloso, médio do Hellas Verona e filho de António, defesa do Benfica entre 1980 e 1995, ou Tiago Pinto, defesa do Ankaragucu, que viu o dianteiro João Vieira Pinto brilhar por Benfica, Sporting e Boavista nas décadas de 1990 e 2000.

Raul Figueiredo teve menos longevidade nas seleções que o seu homónimo progenitor, conhecido pelo apelido ‘Tamanqueiro’, bem como André André, médio do Vitória de Guimarães, face a António André, campeão europeu e mundial pelo FC Porto em 1987.

Igual lastro revela Gonçalo Paciência, avançado do Schalke 04, à procura, em conjunto com Vasco, da equipa sub-23 do Benfica, do instinto goleador de Domingos, enquanto António Morato e João Alves alinharam mais vezes por Portugal que os respetivos pais.

Nesse retrato de superação jovem constam três campeões europeus em 2016, entre os quais Bruno Alves, defesa do Parma, que se superiorizou ao progenitor Washington e aos irmãos Júlio e Geraldo, e João Moutinho, médio do Wolverhampton, melhor do que o pai Nélson e os irmãos Nélson e David.

José Fonte, defesa do Lille, também sobressai a Rui na sucessão de Artur, em palcos diferentes de José e Afonso Taira, médio do Belenenses SAD, Abílio e João Novais, centrocampista do Sporting de Braga, ou Agostinho e Rui Caetano, avançado do Varzim.

Tiago Fernandes trocou os relvados pelos bancos com a responsabilidade de dignificar o legado de Manuel, referência histórica do Sporting, clube no qual se destacou Pedro Venâncio, pai do defesa Frederico, cedido pelo Vitória de Guimarães ao Lugo.

Jorge Jesus, treinador do Benfica, foi influenciado por Virgolino, membro da afamada geração ‘leonina’ dos ‘Cinco Violinos’, na qual brilhou Fernando Peyroteo, cujo rosto maior entre os descendentes é o sobrinho-neto José Couceiro, diretor técnico federativo.

Os presidentes Valentim e João Loureiro foram fulcrais na projeção do Boavista até ao campeonato celebrado em 2000/01, que precedeu a queda ao terceiro escalão, estando Carlos e Joel Pinho ao leme do Arouca aquando da estreia na Liga Europa em 2016/17.

Já Pinto da Costa, o mais antigo e titulado presidente do futebol mundial no ativo, com 38 anos consecutivos na liderança do FC Porto, pautados por mais de 1.000 troféus nas diversas modalidades, viu o filho Alexandre enveredar pelo percurso de empresário de futebolistas.

Entre a nova geração de talentos futebolísticos lusos desponta Afonso Sousa, médio do Belenenses SAD, depois do avô António e do pai Ricardo, ao lado do avançado Fábio (Wolves) e do defesa Jorge (Boavista sub-23), filhos do ex-internacional Jorge Silva.

André Vidigal, avançado do Estoril Praia, lidera a sucessão dos irmãos Beto, Jorge, Lito, Luís e Toni, ao passo que Sérgio (Estrela da Amadora), Moisés (Rio Ave B), Rodrigo e Francisco (FC Porto B) procuram honrar Sérgio Conceição, treinador dos ‘dragões’.

Elos desportivos mais variados possui o dianteiro Pedro Neto, do Wolves, ao descender de um homónimo ex-hoquista e da ex-voleibolista Cristina Lomba, tendo visto as gémeas Bruna e Débora chegarem às quadras após serem campeãs nacionais de trampolins.

Contexto idêntico denotam os Morais, cuja segunda geração lançou no râguebi Tomaz, ex-jogador, selecionador e coordenador federativo, e Nuno, outro antigo jogador e pai de ‘Kikas’, alcunha de Frederico, o único surfista português do circuito mundial.

O andebolista Alexandre Cavalcanti (Nantes) sobressaiu numa família dedicada ao voleibol, tendo Vanessa Fernandes juntado a corrida e a natação à paixão de Venceslau, vencedor da Volta a Portugal em bicicleta em 1984, para se consagrar no triatlo mundial.

Se Amaro Antunes (W52-FC Porto), vencedor da edição especial de 2020, perfaz a terceira geração de ciclistas da sua família, Diogo (Hagens Berman Axeon) encarrega-se da missão de perpetuar Cândido Barbosa, dono de 121 triunfos, 25 em etapas da Volta.

O base Rafael (Benfica) desponta sob orientação de Carlos Lisboa, uma das maiores figuras do basquetebol português, estatuto obtido no andebol por Carlos Resende, treinador do Gaia e progenitor de Patrícia (Colégio de Gaia) e Joana (Paris 92).

Se os hoquistas Hélder Nunes (FC Barcelona) e Gonçalo Alves (FC Porto) superaram o palmarés dos pais, o veterano voleibolista Miguel Maia (Sporting) partilha o balneário com o sobrinho Miguel Sá e já assiste à progressão de Guilherme (Académica de Espinho).

Paulo abandonou as pistas em 2004 para agenciar a ascensão do motociclista Miguel Oliveira (KTM) na esfera do MotoGP, antes de Armando Marinho despertar João Sousa para o ténis e após Mariana Machado ter começado a honrar Albertina no meio-fundo.

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