Com a fase decisiva da qualificação aí à porta, Portugal quer fazer história frente à França e garantir praticamente a presença no Europeu de 2020. A seleção lusa defronta os 'Les Bleus' no Multiusos de Guimarães, no dia 11 de abril, e três dias mais tarde tem novo compromisso na visita aos gauleses em partidas a contar para o grupo 6 da fase de apuramento.

Portugal é neste momento 2.º classificado do grupo, com mesmo pontos da França (4 pontos), mas com menos golos marcados. Para se qualificar, os lusos precisam de ser primeiros ou segundos ou um dos quatro melhores terceiros lugares da fase de qualificação.

Em declarações ao SAPO Desporto, o selecionador nacional Paulo Pereira considera possível fazer um bom resultado contra a França, uma das equipas mais fortes do Mundo, que venceu 6 das últimas 10 competições a nível internacional - 4 Mundiais e dois Europeus e exalta a ambição dos seus jogadores, recordando os desafios com seleções como a Alemanha e a Eslovénia, em que ninguém acreditava que a seleção lusa pudesse lutar pelo resultado.

"Estamos a falar de uma seleção que venceu recentemente quatro Mundiais e dois Europeus. Em 10 ganhou 6. É uma seleção de topo e muito difícil de vencer...Digamos que é quase impossível, mas resta-nos o quase, é nesse quase que nos vamos centrar. Nos últimos tempos eu recordo-me que recebemos a Alemanha e discutimos o jogo até final, mas acabámos por perder. Recebemos a Eslovénia e acabamos por empatar. Podíamos ter ganho o jogo, numa decisão esquisita nos últimos momentos do jogo. Podíamos ter vencido e ninguém acreditava que isso era possível. Por isso, temos que acreditar que podemos fazer um bom resultado com a França. É muito difícil, temos os pés bem assentes na terra, mas a ambição ninguém nos pode tirar", referiu.

Com a seleção bem encaminhada no trilho rumo ao Campeonato da Europa, num regresso aos grandes certames de que está arredada desde 2006, o selecionador frisa que seria bom Portugal conseguir pontuar, num dos dois confrontos frente aos gauleses. O que significaria a obtenção, quase definitiva, do bilhete para o próximo Euro.

"Estamos bem posicionados para obter a qualificação. Recebemos a França em casa e temos que pensar que podemos conseguir algum ponto o que quase certifica a passagem a essa tão desejada ambição que nós temos em participar numa grande competição, como é o Europeu, mesmo sabendo que é muito difícil", antecipou.

Paulo Pereira não dissocia o renascimento da seleção - pós uma época dourada, em que se evidenciaram jogadores como Filipe Cruz, Carlos Resende, Ricardo Andorinho, Carlos Galambas entre outros, e que tão boa conta de si deram em grandes competições internacionais - do trabalho feito a nível dos clubes. O técnico recorda que a maioria dos atletas selecionados "jogam em Portugal" e que isso conduz inevitavelmente ao aumento de competitividade do nosso campeonato.

"É impossível dissociar do que é o trabalho dos clubes e depois o rendimento dos atletas na seleção e os resultados dos clubes portugueses. E neste ano até temos poucos jogadores selecionados a jogar no estrangeiro. A maior parte dos atletas, neste momento até jogam em Portugal e isso é um indício de que os melhores clubes em Portugal também estão a trabalhar melhor. Temos o Sporting que está a fazer uma excelente prestação na Liga dos Campeões, assim como o FC Porto na Taça EHF. Também não podemos excluir o Madeira que está também em ação na Challenge Cup. Em Portugal às vezes observamos jogos de bastante desnível, mas acreditamos que a pouco e pouco esse desnível vá diminuindo. A seleção vai acabar sempre por beneficiar do bom desempenho dos clubes", afiançou.

Questionado sobre se esta geração é a melhor dos últimos 10 anos, o técnico considera "difícil" responder a essa questão, mas destaca o compromisso destes jogadores em prol da equipa nacional.

"É difícil responder a essa questão...nunca jogamos sozinhos. Temos que analisar os adversários. Eu acho que nesse momento o grupo quer muito vencer e quer dar tudo pela seleção. O grupo que nós temos, se formos analisar a nível individual, nota-se mesmo que as pessoas querem mesmo estar de corpo e alma na seleção. E vai ser com eles que vamos conseguir finalmente regressar aos grandes palcos internacionais, eu acredito. Eu faço as coisas com alguma intuição e tento ser o mais justo possível. Estes jogadores dão-nos a garantia de que poderemos obter bons resultados e espero que assim seja e que no final estejamos todos de parabéns".

A seleção é composta por jogadores que atuam em alguns dos emblemas mais fortes do Mundo. É o caso do lateral Gilberto Duarte, que já passou pelo Barcelona e agora está no Montpellier juntamente com o pivô Alexis Borges. O selecionador nacional confia que estes atletas possam trazer outro tipo de experiências destes campeonatos, que poderão fazer a diferença em embates definidos por pormenores.

"Todos os factores contribuem para o rendimento da seleção. Cada vez mais acredito que os factores físicos são muito importantes. É muito importante uma equipa estar preparada taticamente e preparada estrategicamente para responder, mas os factores mentais são os mais importantes. É muito importante termos atletas, que para além da competência, estão completamente envolvidos no que é jogar pela seleção e representar um país. Há outros factores que também ajudam, como é o caso do Gilberto Duarte e do Alex Borges, que têm jogado em clubes de topo, o que é uma mais valia. Há imensos detalhes...Só pelo conhecimento do treino e do jogo que têm faz com que eles cheguem à seleção mais preparados", analisou.

Apesar de não contar com as mesmas armas da França, quer a nível de base de recrutamento, quer a nível de condições e investimento, o técnico voltou a insistir em factores, como o "compromisso" para vencer os gauleses.

"Se calhar não somos tão bons na base de recrutamento. [Comparar Portugal com França] É como comparar a cidade de Lisboa com Espanha em termos de quantidade de pessoas. Em França, eles têm não sei quantos centros de estágio, investem milhões e milhões e é incomparável. Nós temos que nos aproximar em alguma coisa e para mim uma coisa importante que temos que ser superiores a eles, é nesse nível de compromisso, que são factores que podem contribuir para um bom resultado. É nisso que estamos muito focados e vamos tentar que alguma coisa boa aconteça", sublinhou.

Por último, o técnico apela ao apoio do público no próximo dia 11 de abril no Multiusos de Guimarães, tendo a noção de que só a presença da seleção gaulesa no nosso país é um chamariz para a presença em força dos adeptos da modalidade.

"Muito da vontade de querer lá estar é de ir ver França. Nem todos os dias se podem ver atletas daquele nível", observa Paulo Pereira, que expressa o desejo de partilhar o triunfo com o público: "Tenho a certeza que as pessoas pensam que nós podemos obter uma vitória contra uma seleção fortíssima como é a França e se o fizermos tenho a certeza que ele também vão fazer parte dessa vitória e espero que assim seja e oxalá aconteça", reiterou.

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