A seleção portuguesa de andebol garantiu na noite de domingo, pela primeira vez na sua história, o apuramento para os Jogos Olímpicos, ao bater a poderosa França por 29-28.

Portugal participará assim pela primeira vez, em Tóquio 2020, no torneio olímpico de andebol. Trata-se do culminar de dois anos verdadeiramente memoráveis para a modalidade no nosso país. Curiosamente, porque o destino, às vezes, tem destas coisas, outra mítica vitória sobre a França, a 11 de abril de 2019, já tinha marcado esta caminhada, iniciada ainda em 2018, com uma vitória sobre a Roménia.

Rumo ao Europeu de 2020

Na fase de apuramento para o Campeonato da Europa de 2020, que viria a ser organizado, em conjunto, pela Noruega, pela Suécia e pela Áustria, Portugal foi sorteado para disputar o Grupo 6, ao lado da Roménia, da Lituânia e da França. Tudo começou com uma vitória folgada na receção aos romenos, ainda em 2018. Ao segundo jogo, vitória importante na Lituânia, por apenas um golo de diferença (24-23).

Na terceira jornada, a terceira vitória. Épica. Em Guimarães, num jogo perfeito, Portugal batia a França por 33-27, isolando-se na primeira posição do grupo e dando um passo muito importante rumo ao apuramento. Uma derrota em França, na segunda folga, não colocava em perigo a presença na fase final, confirmada com um triunfo por 24-19 na Roménia. Ao fim de 14 anos, Portugal, sob as ordens de Paulo Pereira, ia voltar à fase final de um Campeonato da Europa de Andebol. A fase de qualificação fechou com um empate caseiro ante a Lituânia.

Um 6.º lugar histórico no EURO e presença no torneio de apuramento olímpico assegurada

Dois meses antes de o desporto e o mundo pararem devido à COVID-19, Portugal aterrava então em Trondheim, na Noruega, para começar a disputar o Grupo D da fase final do EURO 2020 de Andebol. Pela frente a toda poderosa França. Outra vez. E outra vez Portugal surpreendeu, levando a melhor. Vitória por 28-25 e entrada com o pé direito na prova. Na segunda jornada, mais uma vitória: 27-24 ante a Bósnia e Herzegovina. A seleção nacional garantia um lugar na fase seguinte da competição.

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Uma derrota com a anfitriã Noruega na terceira jornada não quebrou a euforia e, a abrir a segunda fase, triunfo folgado sobre outra das anfitriãs, a Suécia, por 35-25. Depois da segunda derrota na competição, frente à Eslovénia, Portugal voltaria a fazer história no jogo seguinte: vitória por 34-26 sobre a Hungria, outra das sensações da prova, e a garantia da melhor classificação de sempre em fases finais de Campeonatos de Europa, com a presença no jogo de atribuição do 5.º e 6.º lugares.

Nesse jogo, apesar de muito lugar, Portugal não resistiu a outra das potências da modalidade, a Alemanha, perdendo por 29-27. Ainda assim, terminou num histórico sexto lugar e com a presença no Torneio de qualificação para os Jogos Olímpicos de 2020, agendado para abril, garantida.

No Mundial 2021, mais uma classificação histórica

A COVID-19, porém, viria adiar para março de 2021 esse Torneio de Qualificação Olímpica. Assim, antes a seleção fez uma paragem no Egipto para disputar o Campeonato do Mundo de Andebol de 2021. E para fazer um desempenho memorável.

A disputar o Grupo F, Portugal somou três vitórias em três jogos, derrotando a Islândia, a Argélia e Marrocos, garantindo tranquilamente a passagem à fase seguinte da competição. Aí, no Grupo 3 dessa fase, a primeira derrota, pela margem mínima, perante a poderosa Noruega (29-28).

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O regresso às vitórias deu-se no jogo seguinte, com um triunfo por 33-29 diante da Suíça, e Portugal mantinha aceso o sonho de passar aos quartos de final. Porém, na derradeira jornada, diante da velha conhecida França, acabou desta feita por perder, por margem folgada: 23-32.

Portugal dizia adeus ao Egipto, mas despedia-se do Campeonato do Mundo no 10.º lugar, a sua melhor classificação de sempre.

Em Tóquio 2020 por ti, Quintana

Poucas semanas depois, porém, uma notícia vinha abalar o andebol nacional. Alfredo Quintana, guarda-redes do FC Porto e da seleção nacional, sofria uma paragem cardiorrespiratória durante um treino dos 'dragões', falecendo alguns dias  depois.

O desporto português vestia-se de luto e, entre muitas homenagens, uma promessa. Lutar pela memória do guardião nascido em Cuba no Torneio de Qualificação Olímpica, que se ia enfim disputar, e dedicar-lhe o apuramento.

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A entrada foi com o pé direito: vitória clara, por 34-27, sobre a Tunísia. Portugal ficava a uma vitória da presença nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, marcados para o verão de 2021. Mas uma derrota no segundo jogo, frente à Croácia, por 25-24, colocou esse apuramento em risco.

É que, na terceira e última jornada pela frente os 'Heróis do Mar' iam ter...a França. Seria o quinto jogo entre as duas seleções no período de 24 meses, com duas vitórias para cada lado até aqui.

Apesar de ter já o apuramento garantido, a França não facilitou e chegou a ter sete golos de vantagem. Mas Portugal não baixou os braços e, nos últimos segundos, na derradeira jogada, chegava à vitória por 29-28. A caminhada para Tóquio terminava com lágrimas, num misto de alegria e emoção. A seleção nacional de andebol fazia mais história, numa vitória dedicada a Quintada.

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