Parece de outra década, mas aconteceu esta semana. A pandemia provocada pela COVID-19 está a desvendar aspetos menos elitistas do desporto profissional. A equipa de andebol da Macedónia do Norte, o Metalurg, ficou sem alternativas viáveis (financeiramente) e teve de viajar até León (Espanha) de autocarro para jogar a Liga Europeia, a segunda maior competição da modalidade no velho continente. Foram 40 horas para percorrer os três mil quilômetros que separam Skopje da cidade espanhola.

A comitiva do Metalurg saiu da capital macedónia no sábado à noite, atravessaram seis países (Sérvia, Bósnia Herzegovina, Croácia, Eslovénia, Itália e França) até chegar a Espanha. A partida contra o Ademar foi na terça-feira, às 20h45. Será que o esforço compensou? Pois bem, a equipa visitante (e exausta) saiu derrotada por 41-32.

Após o apito final, e depois de um banho, ainda faltava a viagem de regresso a casa. Mais 40 horas dentro de um autocarro.

“Não havia ligações aéreas para toda a gente. As alternativas eram alguns voarem desde Belgrado (Sérvia) e outros desde Sofia (Bulgária)”, explicou, em comunicado divulgado no site, a direção do clube. Então a melhor solução foi o autocarro.

O Metalurg, dez vezes campeão no seu país, atravessa uma grave crise financeira, com oito meses de salários em atraso aos jogadores, além de problemas com os treinadores. O anterior (Zoran Kastratovic) renunciou o cargo há duas semanas porque não havia recebido o seu salário, conforme denunciou durante a sua demissão, após um ano de trabalho.

Para passar o tempo - e os dias - foram instaladas duas televisões e consolas de videojogos no veículo para que os jogadores estivessem entretidos durante a viagem. Foram realizados vários torneios virtuais, cujo vencedores não foram revelados.

A equipa recebeu ainda um telefonema do presidente da Federação Europeia de Andebol, Marcus Glaser, para indagar sobre esta aventura sobre rodas.

“Levo oito anos como presidente do Ademar e não tinha visto nenhuma equipa europeia a vir de autocarro para León, a não ser equipas portuguesas ou do sul da França”, afirma Tano Franco ao jornal El País, que admitiu ter ficado surpreendido com esta viagem. “Ficamos a saber pela imprensa. Eles [Metalurg] não nos disseram nada”, disse.

Os transtornos da COVID-19

O líder do clube espanhol confessou ainda que têm existido transtornos devido à atual pandemia, estando também a afetar o Ademar quando o clube viaja pela Europa.

“Agora as viagens estão mais caras, com mais escalas e menos horários disponíveis. A viagem à Rússia, que acabamos por abortar devido a um caso positivo [COVID-19], custou-nos 12 mil euros, só o voo e com uma escala. A viagem à Polónia - contra o Wisla Plock na próxima semana - custou-nos sete mil euros ”, ressalta.

Um arrombo nas contas do clube espanhol, ao qual se somam as perdas (30%) nas receitas de pagamentos das quotas por parte dos sócios. As estimativas orçamentais para esta temporada incluem uma queda de 1,2 para 1,1 milhões de euros. Atualmente, com as atuais restrições da comunidade autónoma de Castilla y León, o emblema está impedido de receber público, apesar de ter iniciado a época com adeptos no pavilhão.

O Ademar já anunciou que, quando tiver que visitar a Macedônia do Norte, em março, para defrontar o Metalurg, o fará de avião.

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