A história de Makwala nos Mundiais de atletismos de Londres dava um filme, só o final é que poderia ter sido mais feliz para o atleta do Botswana.

Comecemos pelo início da história: Isaac Makwala, atleta de 30 anos do Botswana, detentor da melhor marca do ano com 19,77 segundos, começou por ver-se arredado da final dos 400 metros e das meias-finais dos 200 metros. Tudo porque lhe foi diagnosticada uma doença infecciosa. O corredor foi assim sujeito a uma quarentena de 48 horas.

No dia das eliminatórias, o atleta estava apto para correr, mas mais tarde foi anunciado o seu abandono. Makwala foi um dos atletas sujeito a análises médicas. Depois de analisadas as amostras foi identificado o Norovirus, que é uma das causas mais comuns da gastroenterite e diarreia.

Findo o período de quarentena e debelada a gastroenterite, - problema que afetou mais de 30 pessoas nos Mundiais -, o corredor foi dado como apto e autorizado a correr sozinho as eliminatórias dos 200 metros.

Com a pista molhada e sem nenhum atleta ao seu lado para puxar por ele, Makwala superou as expetativas e registou um tempo de 20.20. - Precisava de 20.53 para chegar à final.

Makwala a correr sozinho as eliminatórias dos 200 metros nos mundiais de londres
Makwala a correr sozinho as eliminatórias dos 200 metros nos mundiais de londres

Para a prova decisiva, antevia-se um duelo escaldante entre o holandês Van Niekerk e Makwala. O público no estádio Olímpico em Londres tinha um favorito claro: Makwala. Estabeleceu-se uma empatia muito forte depois de conhecida a sua história e todas as peripécias pelas quais o atleta tinha passado durante a competição.

Makwala era o homem que tinha vencido a gastroenterite e estava definitivamente no coração dos britânicos.

Mas mais uma vez a surpresa voltou a marcar presença nas provas de velocidade nos Mundiais londrinos. Depois do norte-americano Justin Gatlin ter estragado a festa de despedida de Usain Bolt, o turco Ramil Guliyev surpreendeu tudo e todos, vencendo com uma marca modesta: 20.09. Este tempo não daria sequer acesso a uma final em campeonatos do mundo anteriores, prova em que Usain Bolt também foi rei. Guliyev nasceu no Azerbaijão, mas em 2011 trocou de nacionalidade e abraçou a turca.

O desfecho foi surpreendente. Van Niekerk, que tinha mostrado algumas debilidades nas meias-finais, acabando por se ter de contentar com a prata. Jerrem Richards da Trinidad e Tobago fechou o último lugar no pódio.

O final apoteótico também teve um festejo pouco ortodoxo. Guliyev começou por festejar com a bandeira do Azerbeijão, até que se lembrou que o seu país de acolhimento poderia ficar aborrecido e lá foi resgatar a bandeira da Turquia. Afinal é este país quem lhe paga. Isaac Makwala acabou por ficar na 6ª posição e fora das medalhas. Terá que esperar por uma nova oportunidade.

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