Nelson Évora concedeu, esta sexta-feira, uma entrevista ao jornal Sporting onde deixa duras críticas à direção do Benfica pela naturalização do atleta cubano Pedro Pichardo, considerando que este foi um "ataque pessoal" contra si próprio.

"Foi feito por questões clubísticas e com o objectivo de ataque pessoal quando não houve nenhuma má intenção da minha parte na mudança de um clube para o outro. Foi o próprio clube que foi negligente com a minha pessoa. Não sei porque é que deram a volta ao mundo para fazer esta borrada", disse o atleta.

O triatleta considera ainda que "todos têm o direito de mudar de nacionalidade", mas, por outro lado, defende que ninguém tem "o direito de passar por cima de muitas coisas, de uma história".

"Por interesses clubísticos fizeram-se coisas inacreditáveis. O Sporting é conhecido por dar a nacionalidade à Naide Gomes, que quase nasceu em Portugal, e ao Francis Obikwelu, que desertou aqui no Campeonato do Mundo de juniores. Até serem portugueses passaram por um processo, perderam competições. Por isso, deixou-me um pouco indignado. Não só pelas madrugadas que perdi [para obter a sua naturalização aos 18 anos], mas também pelas pessoas que estão aqui há muitos anos a lutar pela nacionalidade e não conseguem", atirou.

Na mesma entrevista, o saltador recordou todo o seu processo de naturalização: "Cheguei a Portugal com seis anos. O meu pai já tinha pedido o processo de naturalização dele bem antes de eu nascer. O meu pai era cabo-verdiano e trabalhou a vida toda na Costa do Marfim, mas tinha todas as poupanças em Portugal. Comprou aqui uma casa, pagava aqui os seus impostos e mesmo assim não tinha o direito de ser português. Com dez anos foi pedido o meu processo de naturalização e só com 18 anos é que consegui. Foram muitas madrugadas a ir para os registos pedir documentos, traduções... foi um processo longo do qual me orgulho porque quando me deram o documento português por vias legais eu já me sentia português há bastante tempo."

Nelson Évora garantiu ainda que a sua indignação e críticas à atuação do Benfica nada têm a ver com o facto de Pichardo ter batido o recorde nacional que lhe pertencia: "Os recordes nacionais não me dão nada, não me dão privilégio nenhum. A Federação [Portuguesa de Atletismo] paga-nos 35 euros por bater o recorde nacional. Não é por uma questão de dinheiro ou nada parecido. Eu, quando bato o recorde nacional, sinto o meu país e a minha pátria."

A terminar, o atleta disse ainda que tem com objetivo estar presente nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020.

"Pretendo chegar o mais forte possível a Tóquio. Quero fazer um resultado espetacular com 36 anos. Vou cuidar-me bastante bem, vou trabalhar com muita fome de ganhar para chegar lá sereno e fazer o que me compete", concluiu.

Newsletter

Receba o melhor do SAPO Desporto. Diariamente. No seu email.

Notificações

SAPO Desporto sempre consigo. Vão vir "charters" de notificações.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.