Salwa Eid Naser, atual campeã mundial dos 400 metros, de origem nigeriana mas que defende as cores do Bahrein, livrou-se de forma insólita de uma sanção depois de o tribunal disciplinar da Federação Internacional de Atletismo lhe ter dado autorização para voltar a competir, levantando a suspensão preventiva imposta em junho em virtude de uma quarta falha na realização de um controlo antidoping por não se encontrar na localização prevista.

O motivo para o levantamento da suspensão? Uma confusão com o endereço da atleta. Tahar Righi, diretora técnica de atletismo do Bahrein, havia registado em nome da atleta no aplicativo da Agência Mundial Antidopagem (WADA) a presença de Salwa entre as 6h e as 7h da manhã no 11º andar do prédio 964, bloco 908 do Rodovia Riffa 833, no Bahrein. O delegado da WADA, Enrique Martínez, deslocou-se então à referida morada pelas 6h00 da manhã, mas ao chegar percebeu que o edifício 964 não existia. Afinal, o edifício correto seria o 954 e o número da porta também não estava certo.

Martínez até chegou a encontrar o edifício certo, mas bateu durante cinco minutos à porta com o número 11, sem obter resposta. Naser estaria no número 12, casa onde mora com o namorado, o atleta Abbas Abudakar, e garante que esteve sempre disponível. Martinez ainda tentou entrar em contato por telefone, mas não conseguiu encontrar o número de telefone correto no sistema.

O tribunal sublinhou que Martínez fez todos os possíveis para localizar a atleta, mas reconheceu que este, após encontrar o prédio correto, bateu à porta errada, não o responsabilizando pelo sucedido, visto o número de portas ser muito confuso, mas admitindo que a atleta estava no seu apartamento no momento previsto para o controlo e que nunca chegaram, afinal, a bater à sua porta.

Assim, o tribunal não deu por confirmado que Salwa Eid Naser tenha faltado ao controlo de 12 de abril de 2019, embora tenha repreendido a atleta por não preencher corretamente as informações no sistema e por não ter atualizado o seu número de telefone, o que fez com que não tenha recebido o telefonema do delegado da WADA quando este a tentou contactar.

Desta forma, esse controlo falhado de abril de 2019 foi considerado anulado e, como as restantes três infrações se estendiam por um período superior a um ano, o que impossibilita a sanção, a suspensão foi levantada, podendo a campeãa mundial dos 400 metros voltar agora à competição.

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