Portugal compete em Itália, no domingo, sem atletas nos escalões seniores do Campeonato da Europa de corta-mato, num verdadeiro 'ano zero' da especialidade para o atletismo luso, que estará em Turim só com escalões jovens e estafetas.

A opção foi radical e espanta pela dimensão, já que nunca tinha acontecido nada assim na competição, que se disputa desde 1994. Este ano, estarão nas corridas 21 portugueses, mas nas provas de sub-20 e sub-23, tanto masculinos como femininos, e também na estafeta 4x1,5 quilómetros.

As últimas presenças, com resultados francamente modestos, e às más provas nos recentes Nacionais de algumas referências dos anos mais recentes 'ajudaram' a Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) a assumir a aposta nos mais novos, em que se destacam Mariana Machado, já bicampeão absoluta, e Etson Barros, que este ano foi segundo na corrida principal dos Nacionais, por muito pequena margem.

Depois de 27 edições, de cinco vitórias individuais e 10 coletivas, Portugal 'não vai a jogo' nas corridas principais dos Europeus, com a FPA a querer 'reconstruir', praticamente do 'zero', equipas competitivas.

Mariana Machado, do Sporting de Braga, campeã nacional absoluta, é novamente a grande figura: lidera a equipa para os sub-23 e vai tentar melhorar o bronze de Dublin, no ano passado. Em Lisboa2019, já tinha sido bronze, nos sub-20, pelo que procura terceiro pódio consecutivo.

Não é nada fácil chegar ao ouro, que parece talhado para a superfavorita Nadia Battocletti, tanto mais que 'corre em casa'.

Ainda com 22 anos, Battocletti venceu por duas vezes em sub-20 e na última edição já em sub-23, procurando no traçado do Parque La Mandria um histórico 'tetra'.

Battocletti, filha de um fundista da 'azzurra' dos anos 1990, já se bate em pé de igualdade com as melhores, como se viu nos Europeus de 2022, em Munique, onde foi sétima nos 5.000 metros, antes de parar uns meses, como mononucleose.

Este outono, impressionou no crosse, com o sexto lugar (segunda europeia) em Atapuerca e o segundo em Alcobendas.

As principais adversárias de Battocletti, além de Mariana Machado, deverão ser a irlandesa Sarah Healy, quinta há um ano, a finlandesa Nathalie Blomqvist, recente campeã nórdica, e a britânica Megan Keith, campeã em título de sub-20.

Coletivamente, a Itália, que também tem a vice-campeã europeia sub-23 de 10.000 metros, Anna Arnaudo, dificilmente terá contestação.

Portugal conta ainda com a experiente Lia Lemos, igualmente bracarense (24.ª no ano passado), e Inês Borba, do Sporting, pelo que não tem 'margem de erro' para pontuar.

O outro 'trunfo' português, além de Mariana Machado, é Etson Barros, que só ao 'sprint' perdeu o título absoluto nos Nacionais.

O jovem benfiquista foi quarto júnior em Lisboa, há três anos, mas tem progredido muito nos últimos meses, tanto no crosse como na pista, em obstáculos.

Com ele vão estar os benfiquistas Miguel Moreira, que já foi campeão nacional, e Pedro Amaro e o sportinguista Rúben Amaral.

Pelo ouro, reencontramos o campeão e o vice-campeão do ano passado, em Dublin, ou seja o britânico Charles Hicks e o irlandês Darragh McElhinney, então com um disputadíssimo final ao 'sprint'.

Se ganhar de novo, Hicks, que já reside e treina nos Estados Unidos, será apenas o segundo atleta na história a defender o título, depois do 'tri' do francês Jimmy Gressier, entre 2017 e 2019.

McElhinney, campeão irlandês absoluto, é o grande rival, aparecendo depois um grupo alargado de medalháveis, entre os quais Etson Barros, o norueguês Magnus Tuv Myhre, o irlandês Keelan Kilrehill e os franceses Antoine Senard e Valentin Godouin.

Coletivamente, a Irlanda defende o título.

A equipa feminina de sub-20 conta com duas repetentes, Beatriz Fernandes (ADN Oeiras) e Rita Figueiredo (Sporting). Completam a formação as estreantes Ana Marinho (S. Salvador do Campo), Diana Fernandes (Várzea) e Lara Costa (Várzea).

Na equipa masculina estarão Duarte Santos (Sporting), Leandro Monteiro (Sporting), Rodrigo Freitas (Benfica), Rodrigo Lima (Sporting) e Rúben Pires (Várzea).

A estafeta lusa mista, para os 4x1,5 quilómetros, regressa, depois de se ter optado por não ir a Dublin2021.

Salomé Afonso (Sporting) fará os seus terceiros europeus na estafeta e Patrícia Silva (Sporting) os segundos. Ambas estiveram no bronze de Lisboa2019.

Os dois elementos masculinos são, agora, Nuno Pereira (Sporting) e Isaac Nader (Benfica), o que dá garantia de uma equipa equilibrada e competitiva.

Na corrida principal masculina, tudo parece apontar para novo dia grande para os noruegueses.

Em femininos, o 'duelo' antecipa-se entre a campeã Karoline Bjerkeli Grovdal, a turca Yasemine Can (campeã entre 2016 e 2019) e a alemã Konstanze Klosterhalfen.

A norueguesa Grovdal tem um palmarés impressionante no crosse, já com oito vitórias individuais, mas este verão Can e Klosterhalfen brilharam em pista, com os títulos individuais de 10.000 e 5.000 metros nos Europeus, em Munique.

Na corrida masculina, não se acredita que escape nova 'jóia para a coroa' ao norueguês Jakob Ingebrigtsen, o campeão em título. Já oito vezes campeão continental sénior, entre pista, corta-mato e pista coberta, o ainda muito jovem fundista nórdico, de apenas 22 anos, não tem rival, se continuar fisicamente bem.

Bem atrás, nas previsões, estão o turco Aris Kaya, anterior campeão, o espanhol Mohamed Katir, os italianos Yemaneberhan Crippa e Osama Zoghlami, todos eles com excelentes resultados em pista, esta época.

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