Acostumado ao papel de ator secundário, Alejandro Marque, o vencedor da 75.ª Volta a Portugal em bicicleta, confessou hoje que só acreditou que ia vencer no momento em que cortou a meta da décima e última etapa, em Viseu.

«Tinha muito medo do que podia passar-se hoje. Podia acontecer qualquer coisa a dez quilómetros da meta, algo de que ninguém está à espera. Mas tudo correu dentro do normal e a equipa fez um grande trabalho. Quisemos estar o mais à frente possível porque atrás, com as quedas, é sempre mais complicado», contou na conferência de imprensa que fechou a 75.ª edição.

Inseguro, o galego de 31 anos soube esquivar-se aos focos até ao momento em que triunfou na nona etapa e vestiu a mais apetecida das camisolas, algo que reconhecidamente o assusta.

«Desde o início desta Volta que estive sempre em segundo plano. Quem levou com a pressão toda foi o Gustavo [Veloso]. Isso é complicado, estar sempre na linha da frente da imprensa. Essa vai ser outra faceta difícil de gerir», disse, assumindo estar preparado para passar a ser o plano A da OFM-Quinta da Lixa, mas que é melhor ter dois planos para as vitórias.

Alex, como é conhecido, até já estava habituado a ser ignorado na lista de favoritos, devido à sua relutância em treinar em altitude.

«Sempre treinei nas mesmas subidas e estava acompanhado de quem tinha melhores condições para a montanha como o Mosquera e o Blanco. Não tinha os mesmos resultados, mas conseguia chegar bem à Volta. Este ano deram-me oportunidade de ser um dos líderes da equipa e comecei a ver as coisas de outra maneira. Era sempre num terceiro ou quarto escalão e via as coisas difíceis para mim. Eram outros as apostas, não eu», recordou.

Mas este ano, Marque passou três semanas em altitude e apanhou-lhe o jeito, tanto que, apesar de ter sofrido «muito» na Torre, etapa na qual passou «as maiores dificuldades», saiu de lá reforçado.

«No contrarrelógio também sofri muito. Queria ganhar a etapa. O Gustavo Veloso tinha sido sempre o líder e tínhamos um plano A e um plano B. Tudo estava combinado e trabalhado. Sempre disse que se houvesse duas camisolas amarelas, a outra era para ele. Também merecia esta vitória», defendeu.

O camisola amarela nem quer ouvir falar de tentar igualar o recorde de David Blanco – «Cinco? Ganhar uma já é muito complicado. O que o David fez não tem palavras» -, até porque ainda não está bem consciente do que acabou de acontecer-lhe.

«Talvez agora, quando chegar a casa e começar a ver a televisão, a ler os jornais, comece a digerir bem tudo o que se passou comigo. A ser mais confiante e a saber gerir melhor as coisas. Para vir para o ano diferente», confessou.

Se há algo que Marque sabe é que quer continuar em Portugal, onde sempre se sentiu «cómodo» e querido.

«Como diz o José Barros, só sairei da OFM para uma equipa ProTour, mais nada. Estou muito contente aqui. São como uma família. Do primeiro até ao último. Até os patrocinadores que convivem bastante connosco. Estão sempre a apoiar-nos, transmitem-nos uma confiança que acaba por ser muito importante. Esta convivência não é fruto só de um dia. Temos um grande grupo e conhecemo-nos todos muito bem. É o que pode fazer a diferença numa Volta», destacou.

Feliz por ter ganho especificamente na 75.ª edição, o camisola amarela prometeu que agora vai começar a confiar mais em si.

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