A natureza fez hoje o que os ciclistas não conseguiram, separando os candidatos à vitória na 102.ª Volta a França e deixando Alberto Contador (Tinkoff-Saxo) e Chris Fromme (Sky) bem lançados para um ataque à amarela de Fabian Cancellara.

Fustigado por um fortíssimo vento lateral e por um dilúvio que tornou as estreitas estradas até Zélande, na Holanda, ainda mais perigosas, o pelotão acabou por ceder ao inevitável, partindo a 50 quilómetros da meta. Inesperadamente ‘sozinhos’ na frente de corrida, Contador e Froome aproveitaram para, ao segundo dia, infligir um duro golpe a Vincenzo Nibali (Astana) e Nairo Quintana (Movistar), que perderam mais de 01.20 minutos para os seus dois grandes rivais.

O desenrolar dos acontecimentos dos últimos 50 quilómetros dos 166 da segunda etapa, que ligou Utrecht à apelidada cidade do mar, não foi fácil de acompanhar: primeiro, foram Quintana, Jean-Christophe Péraud (AG2R), Alejandro Valverde (Movistar) e Joaquim Rodriguez (Katusha) a serem dados como ‘atrasados’, uma informação que foi quase imediatamente corrigida e ampliada com os nomes de Nibali, Thibaut Pinot (FDJ) ou Rui Costa (Lampre-Merida).

O nervosismo evidente nos discursos dos candidatos desde a véspera, quando foi conhecido o boletim meteorológico que revelou que uma forte tormenta esperava os ciclistas no final da tirada, tornou-se ainda mais óbvio na estrada, com um Contador frenético (esteve constantemente a gritar pelo auricular) a liderar o grupo de 26 elementos, no qual se encontravam os melhores ‘sprinters’ do pelotão e homens fortes como Froome ou o norte-americano Tejay Van Garderen (BMC).

Com a Etixx-Quickstep e os ‘incríveis’ Tony Martin e Michal Kwiatkowski ao comando, sempre com a conivência da BMC, que sacrificou a camisola amarela de Rohan Dennis em prol de uma preciosa vantagem para Van Garderen, o pequeno grupo foi ganhando tempo aos seus perseguidores, para desespero de Nibali que, depois de tentar segui-los sozinho, optou por esperar pelo bem maior grupo de Quintana.

O azar do vencedor do Tour2014 não ficou por aí. O italiano da Astana, que perdeu o contacto com os primeiros por ter ficado preso numa das inúmeras quedas do dia, furou e foi obrigado a um esforço suplementar, atrás dos carros das equipas, para voltar a alcançar o grupo, que cortou a meta 01.28 minutos depois do vencedor, André Greipel.

Alheios às lutas da geral, os homens da velocidade agradeceram a trégua dada pela chuva e posicionaram à entrada da reta da meta, com o ‘sprinter’ da Lotto Soudal a precisar que o ‘photo finish’ confirmasse a sua vitória sobre Peter Sagan (Tinkoff-Saxo).

Em terceiro, também por milímetros em relação a Mark Cavendish (Etixx-Quickstep), ficou Fabian Cancellara (Trek) que, graças às bonificações, roubou a glória amarela a Tony Martin, que agora é segundo na classificação, a três segundos.

É o suíço quem veste de amarelo – vai envergar a camisola pela 29.ª vez, um número que o torna o segundo ciclista que mais vezes a vestiu sem ganhar a prova -, mas hoje as contas da geral que importam são outras: Froome, que chegou com as mesmas 03:29.01 horas do vencedor, subiu ao décimo lugar, a 48 segundos de Cancellara e Contador, que perdeu quatro segundos, é agora 14.º da geral, a um minuto.

Nibali, o vencedor em título, caiu para a 33.ª posição, a 02.09 minutos, e Quintana é 44.º, a 02.27 minutos de Cancellara.

Entre os portugueses, só Rui Costa e o seu fiel Nelson Oliveira (Lampre-Merida) salvaram o dia, chegando no segundo grupo com os restantes favoritos. Tiago Machado (Katusha), que caiu, e José Mendes perderam 06.10 minutos.

Neste Tour não há descanso, com a etapa de segunda-feira, a terceira, que termina no Muro de Huy, a mais conhecida subida da Flèche Wallone, depois de 159,5 quilómetros desde Anvers, a prometer nova tormenta para os favoritos.

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