No regresso das cronoescaladas ao Tour, depois de 12 anos de ausência, o ciclista britânico ignorou os 600 metros de desnível, acumulados nos 17 quilómetros entre Sallanches e Mègeve, assim como os 2,5 quilómetros da subida Domancy, escolhendo o ‘equipamento’ certo – uma ‘cabra’ de contrarrelógio equipada com uma roda lenticular na traseira – para derrotar o holandês Tom Dumoulin (Giant-Alpecin) no último momento.

“Honestamente, não esperava bater o Tom Dumoulin hoje. Penso que a chave para este desfecho esteve no cadência [de pedalada]. Na primeira parte, controlei-me e na segunda limitei-me a dar tudo o que tinha”, disse o cada vez mais certo tricampeão da ‘Grande Boucle’.

A performance de Froome, que parou o cronómetro nos 30.43 minutos, deixou o ciclista da Giant-Alpecin, que passou grande parte da jornada confortavelmente instalado no primeiro lugar, visivelmente desapontado.

“Penso que hoje não fiz o meu melhor contrarrelógio e ele mostrou-me que é simplesmente o melhor”, reconheceu Dumoulin, que viu o seu terceiro triunfo neste Tour escapar-lhe por 21 segundos.

Num traçado não tão difícil quanto o esperado, os homens da geral responderam presente ao desafio de lutar pelo pódio e conseguiram transformar o novo exercício de domínio de Chris Froome num momento emocionante, com as diferenças a encurtarem consideravelmente.

Em crescendo na última semana da Volta a França, Fabio Aru (Astana) e Richie Porte (BMC) mostraram estar em franca recuperação, ‘empatando’ em tempo – ficaram ambos a 33 segundos do britânico da Sky -, para ocuparem, respetivamente, os terceiro e quartos lugares na tirada, e intrometeram-se numa ‘guerra’ que até ao segundo dia de descanso parecia confinada a Bauke Mollema (Trek-Segafredo), Adam Yates (Orica-BikeExchange) e Nairo Quintana (Movistar).

Principais derrotados da jornada, os três homens que sucedem ao camisola amarela na geral demonstraram estar em pronunciada quebra física, cedendo demasiado tempo para Froome, com Quintana, ainda assim, a ser aquele que menos perdeu (01.10 minutos).

"As sensações continuam a não ser boas. Está a passar-se algo comigo, isto não é normal no meu rendimento. Não esperava estar desta maneira. Não é fadiga o que sinto, mas o corpo não responde. Talvez seja alguma alergia”, justificou-se o líder da Movistar, que está na quarta posição, a uns inalcançáveis 04.37 minutos do britânico da Sky.

Mas o segundo classificado de 2013 e 2015 ainda pode sonhar com o pódio, porque os seus mais diretos rivais nessa contenda estiveram ainda pior: Yates perdeu 01.23 minutos e Mollema dois segundos mais, estando agora a 03.52 de Froome.

“Depois da primeira subida, fiquei ‘vazio’. Ainda bem que acabei por não ceder muito tempo no final”, resumiu o jovem britânico, terceiro na geral a 04.16 minutos.

Cinco lugares atrás de Yates, na 21.ª posição, a 01.46 do vencedor, ficou Nelson Oliveira, que foi penalizado por ter preferido a bicicleta de estrada à de contrarrelógio, num percurso que não se adaptava às suas características.

O português da Movistar, que é 82.º na geral, a 02:25.57 horas de Froome, voltou a ser o melhor representante nacional, já que Rui Costa (Lampre-Merida) se ficou pela 136.ª posição, a 04.57 minutos do primeiro, um resultado que lhe permitiu manter o 70.º posto na classificação global.

Na sexta-feira, os candidatos ao pódio terão mais uma oportunidade para um frente a frente alpino, nos 146 quilómetros entre Albertville e a contagem de primeira categoria de Saint-Gervais Mont Blanc.

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