O pódio da 102.ª Volta a França em bicicleta ficou hoje praticamente definido, na 17.ª etapa ganha pelo alemão Simon Geschke (Giant-Alpecin), com a desistência de Tejay Van Garderen (BMC) e a queda de Alberto Contador (Tinkoff-Saxo).

Esperava-se que a primeira jornada alpina provocasse mexidas na classificação geral, mas ninguém teria apostado que hoje Chris Froome ficasse sem dois dos seus principais adversários: primeiro, abandonou o norte-americano, terceiro classificado, por não suportar as dores de cabeça intensas que sentia desde o início da tirada, depois caiu o espanhol, na perigosa descida do Col d’Allos, perdendo mais de dois minutos para o camisola amarela.

Assim, o britânico da Sky, que hoje voltou a resistir a todos os ataques, sobretudo aos do seu vice na geral (e no Tour2013), Nairo Quintana, tem apenas três homens com que se preocupar, sendo um deles, o quarto classificado Geraint Thomas, o seu fiel colega de equipa – o outro é Alejandro Valverde, terceiro, atrás do seu colega colombiano da Movistar.

As contas da geral baralharam-se, simplificaram-se e ofuscaram a emotiva vitória de Simon Geschke, que não conteve as lágrimas ao somar o primeiro triunfo na Volta a França e o terceiro da sua carreira, depois de contrariar o favoritismo dos seus colegas de fuga e cortar isolado a meta, em Pra Loup, com o tempo de 04:12.17 horas.

O col d’Allos, o ponto mais alto desta edição (2.250 metros), surgia, imponente, a ameaçar o pelotão, ao quilómetro 139 dos 161 entre Digne-les-Bains e Pra Loup, e quase suplicava por uma fuga, por estar demasiado distante da meta para aventuras dos candidatos à geral.

As tentativas foram muitas, só que a fuga da jornada demorou 64 quilómetros a formar-se, por obra de alguns dos suspeitos do costume e de nomes importantes do pelotão, como Thibaut Pinot (FDJ), Richie Porte e Nicolas Roche (Sky), Rafal Majka e Peter Sagan (Tinkoff-Saxo), Simon Geschke (Giant-Alpecin), Adam Yates (Orica-GreenEdge), Rigoberto Uran (Etixx-Quick Step), Andrew Talansky e Ryder Hesjedal (Cannondale-Garmin), ou Daniel Teklehaimanot (MTN-Qhubeka).

A contagem de primeira categoria e o desgaste da jornada desfez o grupo, com Geschke a ficar na frente e o insatisfeito Pinot a persegui-lo, mas foi a estrada suja e irregular de Allos que se revelou verdadeiramente decisiva.

O líder da FDJ caiu, ficou temeroso e viu Talansky e Uran ultrapassá-lo a grande velocidade – o norte-americano da Cannondale-Garmin foi segundo, a 32 segundos, e o colombiano da Etixx-Quickstep terceiro, a 01.01 minutos. Pinot não foi o único a ser atraiçoado pelo asfalto: pouco depois, no grupo de favoritos, reduzido aos quatro ‘fantásticos’ e a Alejandro Valverde, Contador foi ao chão e com ele as suas aspirações de acabar no pódio em Paris.

Prontamente ajudado por Sagan – emprestou-lhe a bicicleta - e por Michael Rogers, o vencedor do Giro2015 perdeu definitivamente o contacto com os seus adversários, cortando a meta a distantes 02.17 minutos de Froome e Quintana, que cruzaram juntos a meta, depois do britânico ter respondido a todos os ataques do melhor jovem deste Tour.

“Procurei perder o menos tempo possível. Não vale a pena fazer um drama, é o ciclismo. É uma pena”, lamentou o espanhol, vencedor da Volta a França de 2007 e 2009, que é quinto a 06.40 minutos de Froome.

O britânico, camisola amarela desde a sétima etapa, continua a não dar qualquer sinal de debilidade, mantendo os 03.10 minutos de diferença para Quintana e tendo Valverde a 04.09.

Os Alpes regressam na quinta-feira, nos 186,5 quilómetros entre Gap e Saint-Jean-de-Maurienne, para desgosto dos portugueses que hoje voltaram a passar dificuldades: Nelson Oliveira (Lampre-Merida) perdeu 15.40 minutos para Geschke, Tiago Machado 21.05 e José Mendes (Bora-Argon 18) 29.54.

Oliveira é o melhor luso na geral, na 52.ª posição, a 01:32.57 horas de Froome, Machado é 60.º, a 01:44.27, e Mendes ocupa o 143.º posto, a 02:53.54.

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