Tiago Machado, um herói improvável da Volta a França em bicicleta do ano passado, quer deixar a sua marca na 102.ª edição e, quem sabe, ganhar uma etapa para dedicar ao filho recém-nascido.

Supersticioso, o ciclista da Katusha não gosta que lhe falem da queda que, no Tour2014, o converteu em figura velocipédica planetária. “Eu gostava de ser protagonista e já no ano passado acho que fui herói por esse aspeto [queda], mas não se pode esquecer que ao fim de muitos anos voltámos a ter um português no pódio do Tour. Momentaneamente, mas voltámos a ter”, recordou à agência Lusa.

Mais do que a queda da décima etapa da 101.ª edição e a posterior repescagem pelo esforço descomunal de ter chegado à meta, já depois de ter entrado na ambulância e ser dado como desistente, Tiago Machado reteve o terceiro lugar que ocupou até ao seu infortúnio. Este ano, numa equipa com mais ambições que a NetApp-Endura, o corredor de Famalicão sabe que o seu propósito será outro.

“Este ano vou com um tipo de trabalho diferente, vou com o ‘Purito’ e toda a gente sabe que ele é o nosso líder e temos de estar com ele o mais tempo possível”, disse, referindo-se a Joaquim Rodriguez, o líder da Katusha.

A seleção para a equipa russa, líder do ‘ranking’ mundial, encheu de orgulho o português de 29 anos, que no último fim de semana conquistou duas medalhas (uma da prata, outra de bronze) nos nacionais.

“É o reconhecer do meu trabalho, do meu profissionalismo e estou satisfeito, porque são só nove que vão ao Tour”, completou. Com o veterano espanhol como único chefe de fila, ‘Tiaguinho’ assume que não parte com objetivos individuais, a não ser o de chegar dia 26 a Paris, mas não esconde que gostaria de dar uma prenda ao filho recém-nascido.

“Eu vou tentar ganhar 21 [etapas]. Tenho 21 dias para tentar ganhar, agora se vou ter capacidade física ou talento para isso não sei. Mas vou tentar, sem dúvida”, garantiu, de sorriso rasgado.

Martim ‘antecipou’ o nascimento para conhecer o pai antes de este ir para o Tour e Machado não poderia estar mais contente: “Depois de uma vez mais ter estado perto de um dos meus sonhos de carreira, que era ganhar os nacionais, e de não ter conseguido, chegar a casa e ver o meu filho nascer no dia seguinte... tudo o que passou naquele fim de semana ficou para trás. Agora ver aquilo que me pertence é algo fantástico, que me deixa feliz e naqueles momentos em que for a sofrer acho que irá dar alguma força extra”.

No corre-corre da paternidade recente, o corredor da Katusha ainda não estudou, ao detalhe, o percurso da Volta a França, que arranca no sábado em Utrecht, na Holanda. “Ainda não vi o percurso do Tour, para ser sincero. Sei que vai ser um Tour muito duro, com muita montanha, com um contrarrelógio por equipas, um contrarrelógio logo a abrir de 14 quilómetros, mas não vi ao detalhe as etapas. Vai ser o dia-a-dia, tentar fazer o melhor possível e não pensar muito no que vem pela frente”, explicou.

Questionado pela agência Lusa sobre qual é o seu favorito para vestir a amarela em Paris, Machado atira “Para mim, é o ‘Purito’”, antes de reconhecer que “Froome, Quintana, Nibali, Contador” serão os nomes pelos quais vão passar os momentos chave do Tour.

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