O ciclista João Rodrigues (W52-FC Porto) acredita estar preparado para defender o ‘cetro’ na Volta a Portugal, num “ano atípico”, em que chegou a pensar que a prova não sairia para a estrada devido à pandemia de covid-19.

Em entrevista à agência Lusa, o vencedor da Volta a Portugal de 2019 assumiu que revalidar o título na edição especial da prova, que arranca no domingo, em Fafe, e termina em 05 de outubro, em Lisboa, será uma tarefa ainda mais difícil do que em anos anteriores.

“Este tem sido um ano atípico, a nossa preparação sofreu bastantes alterações deste ano para outros anos na Volta a Portugal. Este ano, a Volta a Portugal também é diferente, apesar de continuar com a mesma dureza, mas acho que nos conseguimos preparar da melhor forma possível, acho que estou bem preparado e todos estamos em igualdade, as forças estão boas entre nós e os rivais. No [Troféu Joaquim] Agostinho, acho que foi tudo discutido ali até ao último dia, [as forças] estão bem repartidas e acho que vai ser um bonito espetáculo”, prognosticou.

Foi precisamente na prova disputada no fim de semana passado que o ciclista da W52-FC Porto sofreu uma queda, que “felizmente” não passou de um susto.

“Tenho algumas mazelas ainda no corpo, algumas escoriações, o que me dificultou bastante dormir nos primeiros dias. O ombro ainda está um pouco massacrado, tenho alguma dificuldade ainda em movê-lo, mas acho que está tudo bem. O mais importante é não ter nada partido e dar para alinhar e defender o título”, descreveu, confessando que, assim que caiu, se desligou “logo da corrida” e começou “a pensar noutras coisas, porque tinha bastantes dores do impacto”.

Ultrapassado o percalço pré-Volta, João Rodrigues não esconde a sua satisfação por estar de regresso, com o dorsal número 1, à prova que o consagrou como um dos talentos mais promissores do pelotão nacional, até porque, admite, houve momentos em que pensou mesmo que a Volta a Portugal iria ser adiada para 2021.

“Sinceramente, depois de a pandemia começar a aumentar, nós já estávamos à espera que pudesse vir a ser cancelada ou adiada, porque aconteceu assim noutras corridas lá fora. Claro que é frustrante depois de tanto trabalho. Aliás, isto foi o ano todo assim, porque não foi só a Volta que foi adiada, foram outras corridas. Nós preparávamo-nos para a corrida, três, quatro dias antes [diziam-nos] ‘vai ser adiada’. É frustrante, porque trabalhamos, estamos longe da família, em estágios, e depois custa bastante chegar ali e não poder mostrar aquilo que trabalhamos. Torna-se duro”, assumiu.

O algarvio, de 25 anos, destacou o “excelente esforço” da Federação Portuguesa de Ciclismo para que a corrida fosse para a estrada, defendendo que a realização da edição especial “vai ser mesmo importante não só este ano, mas para o ano, para a sobrevivência de algumas equipas”.

Com o número de casos diários de covid-19 a aumentar em Portugal, o ‘dragão’ disse estar “bastante tranquilo”, até porque a equipa está concentrada numa unidade hoteleira de Guimarães desde o início da semana, e a “respeitar minimamente todas as regras”.

João Rodrigues reconhece, porém, que sentirá a falta de público na edição de 2020.

“Acho que é o pior desta Volta. Está a ser já bastante estranha, porque não temos o dia da apresentação, que é um espetáculo em que toda a gente gosta de estar. Mesmo quando ainda estamos no hotel, já estamos a ver as equipas e todos os atletas lá. Está a fugir um pouco do espetáculo, daquela volta a Portugal calorosa e com o público todo que costumamos ter. vai ser estranho no início, mas é assim, é a nova realidade”, completou, notando que, o mais importante, é estar na prova para discuti-la e poder fazer o seu melhor.

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