A W52-FC Porto, que desistiu de constituir equipa profissional após um ‘escândalo’ de doping, anunciou hoje o lançamento de um “novo projeto”, que passa por uma equipa de sub-23 e aposta “no ciclismo de formação”.

“A W52 e o FC Porto vão continuar a apoiar o ciclismo na próxima época desportiva, através de um novo projeto que terá uma equipa de sub-23 e apostará no ciclismo de formação”, pode ler-se num comunicado hoje divulgado pela formação.

Segundo a nota, este projeto estará “ancorado na associação ‘Fonte Nova – Clube de Ciclismo’” e quer “concertar a ação com entidades como a Federação Portuguesa de Ciclismo e outras dos setores desportivo, educativo e social”.

Além dos sub-23, a equipa pondera ainda chegar a outros patamares de formação e ao desporto adaptado, procurando apostar num “claro compromisso de defesa da ética e dos valores do desporto”.

“A estrutura e o plano de ação da nova equipa W52 - FC Porto serão brevemente apresentados”, pode ler-se no comunicado.

A formação profissional, sob a Associação Calvário Várzea Clube de Ciclismo, renunciou à intenção de se inscrever como equipa continental em 2023, depois de, em outubro, a federação ter adiado a decisão quanto à candidatura, um dia depois de sete ciclistas da W52-FC Porto terem sido suspensos pela Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP).

No final de abril, 10 corredores da W52-FC Porto foram constituídos arguidos e o diretor desportivo da equipa, Nuno Ribeiro, foi mesmo detido, assim como o seu adjunto, José Rodrigues, no decurso da operação ‘Prova Limpa’, a cargo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) do Porto.

Na operação policial, “foram apreendidas diversas substâncias e instrumentos clínicos, usados no treino dos atletas e com impacto no seu rendimento desportivo", detalhou então a Polícia Judiciária.

João Rodrigues, vencedor da Volta a Portugal de 2019 e da Volta ao Algarve de 2021, foi o ciclista que recebeu uma sanção mais pesada: o algarvio de 27 anos vai cumprir sete anos de suspensão, quatro dos quais impostos pela UCI, por anomalias no passaporte biológico, e outros três anos pela ADoP, por “posse de método proibido”.

Rui Vinhas e Ricardo Mestre, vencedores da Volta a Portugal em 2016 e 2011, respetivamente, foram sancionados por três anos, por “posse de substância proibida e método proibido”, o mesmo motivo evocado pela ADoP para suspender por igual período Ricardo Vilela, Daniel Mestre, José Neves e Samuel Caldeira.

Vinhas e Daniel Mestre, vencedor da classificação por pontos da Volta 2019, foram castigados por posse de betametasona (um corticoide), enquanto José Neves, campeão nacional de fundo em 2021 e vencedor do Grande Prémio Douro Internacional esta época, Ricardo Mestre e Ricardo Vilela estavam na posse de hormonas de crescimento.

Tal como Mestre e Vilela, também Samuel Cadeira, que era o ‘capitão’ da equipa na estrada, tinha em seu poder somatropina e hormona de crescimento, além de insulina.

A ADoP reduziu a suspensão dos sete ciclistas de quatro para três anos por terem “confessado”, ao contrário do que aconteceu com Joni Brandão, José Gonçalves e Jorge Magalhães, assim como com quatro elementos do ‘staff’ da equipa, incluindo Nuno Ribeiro – todos eles suspensos preventivamente por aquele organismo -, cujos processos continuam a decorrer, indicou à Lusa fonte ligada ao processo.

Amaro Antunes, tricampeão da Volta (2017, 2020 e 2021), foi o único dos ciclistas ligados à W52-FC Porto durante a temporada de 2022 que não foi suspenso, tendo assinado pela ABTF Betão-Feirense.

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