Não há formas de quebrar a maldição de San Juan: Portugal perdeu com a Argentina por 4-2 na catedral do hóquei patinado argentino e falhou a revalidação do título de campeão do Mundo.

Os lusos estiveram a vencer por 2-0 mas a equipa da casa deu a volta e fez a festa, conquistando o seu sexto título de campeão do Mundo de hóquei em patins, o primeiro desde 2015. Portugal falhou a  17.ª conquista, que lhe permitiria igualar a Espanha, recordista de troféus.

Portugal continua sem vencer um Mundial em San Juan: em sete edições da prova no Pavilhão Aldo Cantoni, o melhor que conseguiu foram três segundos lugares, alcançados em 1989,  1970 e agora em 2023.

A França bateu a Itália por 3-2 nas grandes penalidades (depois de 5-5 no tempo regulamentar) e ficou com o bronze.

'Calma, Henrique Magalhães está aqui'!

Em campo, as duas seleções que disputaram o último mundial, numa edição realizada em Barcelona e ganha por Portugal na final, nas grandes penalidades, num jogo onde Girão foi gigante.

Com o 'estádio' Aldo Cantoni a rebentar pelas costuras (fica a ideia que tinha mais gente que a sua lotação permitida), Portugal tinha de 'passar por cima' deste elemento extra dos argentinos para renovar o título. E entrou serena a seleção comandada por Renato Garrido, sabendo que teria de ter calma, coração e muita 'cabecinha' para não ir nas simulações e no jogo duro dos argentinos, como se viu mais tarde.

E logo aos três minutos, Henrique Magalhães fez questão de dizer que Portugal estava em San Juan para quebrar a maldição e revalidar o título, quando aproveitou um passe para encostar para o 1-0, fazendo o seu 5.º tento na prova. Festejou com o 'Eu estou aqui' de Cristiano Ronaldo… em terra de Messi.

A perder, os argentinos aumentaram a agressividade sem bola e também o teatro. João Rodrigues foi derrubado na área argentina num lance claro de grande penalidade, mas a dupla de árbitros formada pelo italiano Filippo Fronte e pelo espanhol Iván González, assinalou falta, ao contrário. Pouco tempo depois, nova falta passível de cartão azul para Romero (em Portugal joga no Sporting), numa stickada na cara de Hélder Nunes, mas os árbitros marcaram simulação.

O jogo estava frenético, com situações de perigo junto das duas balizas. O primeiro grito no mais que lotado 'estádio' Aldo Cantoni ouviu-se aos seis minutos, quando Pablo Álvarez colocou a bola no fundo da baliza de Ângelo Girão, mas o tento foi anulado porque o segundo desvio, após defesa do guardião luso, foi feita com o patim. Na outra baliza, Conti Acevedo (joga em Portugal no OC Barcelos) negou o tento a Portugal com uma defesa com a cabeça e depois, João Souto atirou ao poste.

Os argentinos aceleraram o jogo, tentaram o empate de todas as formas mas na baliza lusa estava o Super Girão, frio e intransponível. E, para acalmar os nervos em campo, Henrique Magalhães aproveitou novo lance de ataque rápido de Portugal para fazer o 2-0, numa finalização fria, aos 16 minutos. A maldição de San Juan estava ficava mais perto de cair.

De  0-2 para 4-2 com teatro, socos e muita sorte

De tanto tentar, os argentinos reduziram aos 24 minutos por Pablo Alvarez, num grande golo. Um golo que fez 'explodir' o pavilhão e relançou a partida para a segunda parte. E, a terminar, João Rodrigues esteve perto do 3-1 mas Conti Acevedo defendeu a 'picadinha' do avançado que joga no Barcelona.

O segundo tempo arrancou frenético, com a Argentina a forçar ainda mais o segundo, que lhe daria o empate. Depois de Henrique Magalhães ter ficado muito perto do 3-1 em duas ocasiões, os argentinos vão chegar ao empate aos 32 minutos, num livre direto após lance na meia-pista da argentina, entre Nicolia (joga no Benfica) e Telmo Pinto. Não se viram as imagens da falta mas, na jogada, o argentino aparece no chão a queixar-se. Cartão azul para o português e lance de bola parada que Nicolia não desperdiçou, fazendo o seu quarto golo na prova. Empate e loucura nas bancadas.

Em campo os argentinos continuavam a forçar de todas as formas, mesmo as não permitidas por lei mas que passavam fora do radar da dupla de árbitros. Muitas faltas a favor de Portugal não marcadas, muitas simulações dos argentinos que os árbitros apitaram. E para mostrar quem mandava, um jogador argentino agrediu João Rodrigues com um soco na barriga dentro da área argentina. Mais um penálti por marcar para Portugal e cartão azul por mostrar ao jogador da casa. E, mais uma vez, os árbitros nada viram.

Foi numa desatenção de Portugal e numa perda de bola de Hélder Nunes em transição ofensiva que a Argentina deu a volta ao marcador por Pablo Alvarez aos 39 minutos. Remate forte, que passou lentamente por baixo do corpo de Ângelo Girão. E o 'caldeirão' Aldo Cantoni  voltava a 'ferver'.

O golo mudou o curso do jogo, já que a Argentina passou a atacar ela certa, trocando a bola com calma, a esgotar os 45 segundos de ataque. Na defesa, a mesma agressividade de sempre, com os árbitros a terem critério largo ao longo do encontro.

A Argentina ainda teve uma bola parada para 'matar' o jogo, depois de Portugal chegar às 10 faltas mas Ângelo Girão desta vez levou a melhor sobre Carlos Nicolia.

Portugal tentou o tudo por tudo nos minutos finais, sem guarda-redes e atacar com cinco para quatro, mas, apesar das inúmeras tentativas, o golo não surgiu.

Golo esse que apareceria a 12 segundos do final mas na baliza contrária, já sem guarda-redes. Marcou Ezequiel Mena (joga no FC Porto) o 4-2 e acabou com o jogo.

Portugal continua sem vencer em San Juan: em sete edições do Mundial nesta cidade argentina, o melhor que alcançou foram três segundos lugares.

Já a Argentina ‘vingou’ o desaire na final de há três anos (1-2 nos penáltis, após 0-0, em Barcelona), para somar o sexto título, repetindo 1978, 1984, 1995, 1999 e 2015, enquanto Portugal continua com 16, a um da recordista Espanha.

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