Um grupo de amigos e ‘craques’ do futebol de mesa, ou matraquilhos, vão representar o Rionatura/Café do Rio, de Santo Tirso, na Liga dos Campeões da modalidade, em Roma de 19 a 21 de novembro.

São seis os atletas que vão representar a equipa do distrito do Porto na capital italiana, numa participação inédita para uma formação portuguesa na ‘Champions’ do futebol de mesa.

Mário Silva e Márcio Ferreira são de Paços de Ferreira e sugeriram a equipa, uma vez que já jogam juntos por ali, mas a ideia veio de Pedro Oliveira, de Almada.

“A ideia inicial foi minha, tenho interesse em provas internacionais nos matraquilhos, e também nas mesas de torneio em que se joga lá fora, que não são iguais às portuguesas”, conta à Lusa o almadense, de 26 anos.

A covid-19 impossibilitou a existência de provas de apuramento “em tempo útil”, e em conjunto com a federação nacional a inscrição foi possibilitada, de uma equipa que reúne um “critério misto entre amizade e performance”.

Tanto assim é que a expectativa é alta: “fazer pódio na Liga dos Campeões”.

“As expectativas são realmente altas, apesar de ser uma primeira participação, porque temos na nossa equipa craques não só nacionais, mas mundiais. O Filipe Parreira foi várias vezes campeão do mundo júnior, o André Mendes já fez nono lugar por duas vezes, no individual de Mundial. Todos os outros membros já ganharam provas, mesmo provas lá fora todos já fizeram ‘top 20’”, elogia o ‘mentor’ da ideia.

Mário Silva, o ‘capitão’, e Márcio Ferreira, de Paços de Ferreira, juntam-se então a André Mendes e Pedro Oliveira, de Almada, ao jovem Filipe Parreira e a Gonçalo Santos, estes dois de Lisboa, na seleção Rionatura.

Para Pedro Oliveira, a prova é interessante não só pelo prestígio europeu mas por se jogar em várias mesas, entre as cinco consideradas oficiais pela federação internacional, o que permite aos jogadores maior variedade na escolha.

A questão das mesas é relevante, uma vez que em Portugal se joga sobretudo num tipo de mesa que não é homologado, o que afasta o quadro competitivo do resto do mundo, principalmente num panorama pandémico sem competição nas mesas autorizadas pela federação internacional.

Uma boa participação na ‘Champions’ pode dar força à comunidade, que recentemente se juntou nos campeonatos nacionais, e talvez ‘forçar’ a reflexão sobre o tipo de mesas, até pela implementação do jogo no país.

“É talvez a grande vantagem de Portugal em relação ao resto do mundo. Em todas as esquinas de cafés, de bares, há uma mesa. Não deve haver um português que nunca tenha jogado”, atira Pedro Oliveira.

Em 2019, a Federação Portuguesa de Matraquilhos e Futebol de Mesa estimava em quatro centenas o número de atletas federados, de uma modalidade que quer ser reconhecida “como desporto” e poder crescer até ‘ameaçar’ a integração no projeto olímpico.

Hoje em dia, conta à Lusa o vice-presidente federativo Ricardo Vieira, esse número “desceu um pouco”, mas esta participação na Liga dos Campeões, corolário de um esforço também da federação, terá “apoio a nível logístico e administrativo” aos atletas.

“Esperamos que seja mais uma forma de ganhar experiência e capacidade para as próximas participações. Sabemos que vão estar a competir os melhores atletas da Europa”, assevera.

O dirigente nota que depois da fase de qualificação, “tudo pode acontecer”, numa participação pioneira que já será uma base para o próximo ano, garante, além de ajudar a “dar a conhecer o estilo de jogo internacional e as várias mesas de jogo”.

“Aqui em Portugal estamos numa luta intensa para a apresentação de uma nova mesa de jogo que mantenha as características das nossas atuais e se aproxime das internacionais. No entanto, é um processo demorado e que não tem sido fácil”, admite.

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