A agência norte-americana antidopagem (USADA), perante a dificuldades criada pela pandemia da covid-19 à recolha das análises, lançou um programa de testes realizados pelos próprios atletas em casa, que monitoriza por videoconferência, anunciou hoje o organismo.

Os ‘kits’ de teste foram enviados aos atletas, que devem produzir amostras de sangue e urina quando receberem uma ligação inesperada da USADA. A realização dos testes é monitorizada por um controlador, em tempo real, por meio de um aplicativo como o Zoom ou o FaceTime.

Os atletas selam as amostras e enviam-nas para entrega no dia seguinte a um laboratório credenciado pela Agência Mundial Antidoping (AMA) para análise.

"Este programa é o único do género no mundo e foi lançado quando os testes pessoais presenciais e sem aviso prévio da USADA quase pararam devido ao distanciamento social e outras diretrizes de saúde durante a pandemia”, disse o diretor executivo do organismo, Travis Tygart.

O denominado programa ‘Believe 2020’ conta com a adesão de quinze atletas voluntários, entre os quais as nadadoras olímpicas medalhadas Katie Ledecky, recordista mundial dos 400, 800 e 1.500 metros livres, e Lilly King, além do velocista Noah Lyles, atual campeão mundial dos 200 metros.

Se, por um lado, o atleta tem de se filmar a si próprio a tirar uma gota do próprio sangue, esse não é o caso da recolha de urina, que tem, por razões de privacidade, outro procedimento.

Para evitar a hipótese de a recolha ser adulterada, o atleta tem que filmar a casa de banho ao vivo para provar que não está mais ninguém na divisão e que nenhuma amostra está escondida.

O atleta então urina no recipiente, sem filmar, e, feito isso, volta o frasco para a câmara para colar uma etiqueta sensível ao calor, provando que a urina está quente e, portanto, recolhida na altura.

Toda esta fase é cronometrada pelo controlador da USADA, que pode comparar a análise de urina com os testes anteriores do atleta.

“Senti-me muito confortável com todo o processo”, disse Katie Ledecky, que realizou o seu primeiro teste na segunda-feira no seu apartamento na Califórnia”, acrescentando que, “dada a atual situação, este é o momento perfeito para testá-lo".

A nível global, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 154 mil mortos e infetou mais de 2,2 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Mais de 497 mil doentes foram considerados curados.

Os Estados Unidos são o país com mais mortos (37.079) e mais casos de infeção confirmados (mais de 706 mil).

Em Portugal, morreram 687 pessoas das 19.685 registadas como infetadas.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), encerraram o comércio não essencial e reduziram drasticamente o tráfego aéreo, paralisando setores inteiros da economia mundial.

Face a uma diminuição de novos doentes em cuidados intensivos e de contágios, alguns países começaram a desenvolver planos de redução do confinamento e em alguns casos, como Dinamarca, Áustria ou Espanha, a aliviar algumas das medidas.

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