A associação representativa dos ginásios apresentou várias medidas ao Governo para a retoma da atividade nos clubes de fitness como limitar a capacidade das aulas a uma pessoa por cada quatro metros quadrados, avançou hoje à Lusa a entidade.

O presidente da Associação de Ginásios e Academias de Portugal (AGAP), José Carlos Reis, adiantou que propôs na quinta-feira, numa reunião com o secretário de Estado da Juventude e Desporto, medidas para a reabertura dos ginásios, que foram obrigados a encerrar devido à pandemia de covid-19, assentes em três eixos: gestão do espaço, distanciamento se segurança e medidas de higiene.

Os ginásios “não podem reabrir ao público de uma forma indiscriminada”, tem de haver “medidas de segurança excecionais” de proteção das pessoas e de restrição de utilização, defendeu o responsável.

Como principais medidas apontou a limitação do tempo de permanência de cada utente a uma hora e horários específicos para pessoas de mais idade.

As salas com máquinas de cardiofitness e musculação só podem ter metade do número de utilizadores em relação ao número de máquinas, devendo as restantes serem retiradas ou vedada a sua utilização.

Haver sempre que possível um intervalo nas aulas de grupo para arejar e limpar os espaços, a existência de líquido desinfetante para os utentes desinfetarem as máquinas e os balneários serem utilizados nas primeiras semanas apenas para vestir ou despir são outras medidas propostas.

Antes de reabrirem, os ginásios deverão realizar adaptações temporárias para respeitar o distanciamento de segurança e as medidas de prevenção de contágio do Covid-19.

Na receção, devem marcar no chão as distâncias mínimas entre as pessoas, colocar proteções de acrílico ou vidro, proibir a prática de exercício dois a dois e evitar ao máximo o contacto físico entre os técnicos e os clientes.

“É todo um conjunto de procedimentos que vamos ter que reajustar para abrir em segurança, para que as pessoas se sintam seguras e para que também consigamos que não haja casos de contaminação por covid-19 nos nossos clubes”, disse José Carlos Reis, contando que a associação está a adaptar a Portugal as medidas tomadas noutros países europeus.

A AGAP propôs ainda ao Governo duas medidas de apoio ao setor: a redução do IVA para 6% durante um ano para compensar a “diminuição acentuada de receitas” e a inclusão no IRS das despesas com ginásios com um valor máximo de 400 euros/ano por pessoa.

Para o responsável, era importante o Governo mostrar que “o exercício físico é promoção de saúde, prevenção de doenças e o único meio de baixar os custos do Serviço Nacional de Saúde”.

No seu entender, “a única grande vantagem” da pandemia foi todas as pessoas admitirem o valor do exercício físico.

“Parece que finalmente se descobriu que o exercício é fundamental para a vida das pessoas que é uma coisa obrigatória como lavar os dentes”, sustentou.

José Carlos Reis sublinhou que a decisão de reabrir caberá a cada clube, lembrando que quando o Governo determinou o seu encerramento, mais de 90% dos clubes já o tinham feito.

Apesar de todo o setor se ter mobilizado para oferecer aos seus clientes soluções para praticarem exercício à distância, os cerca de 1.100 ginásios enfrentam grande dificuldades financeiras.

“A grande maioria dos clubes tem uma quebra superior a 50% da faturação, alguns clubes deixaram mesmo de faturar aos clientes. O prolongamento da situação” além de maio vai “significar o encerramento de muitos clubes que empregam em Portugal cerca de 17.000 profissionais”, refere a AGAP nos documentos entregues ao Governo.

Portugal regista 657 mortos associados à covid-19 em 19.022 casos confirmados de infeção, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia.

Relativamente ao dia anterior, há mais 28 mortos (+4,5%) e mais 181 casos de infeção (+0,96%).

Das pessoas infetadas, 1.284 estão hospitalizadas, das quais 222 em unidades de cuidados intensivos, e 519 foram dadas como curadas.

O decreto presidencial que prolonga até 02 de maio o estado de emergência iniciado em 19 de março prevê a possibilidade de uma "abertura gradual, faseada ou alternada de serviços, empresas ou estabelecimentos comerciais".

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