A Federação Portuguesa de Natação (FPN) atribui selos de qualidade às piscinas e a Federação de Ginástica de Portugal (FGP) certifica pessoal, enquanto preparam campanhas de angariação de atletas após a pandemia de covid-19.

“Distinguimos instalações e clubes que preencham certos requisitos: informação aos utentes sobre as normas de funcionamento, formação de recursos humanos e técnicos, protocolos de segurança, higienização de espaços e existência dos equipamentos de proteção individuais”, explicou à agência Lusa o presidente da FPN, António José Silva.

Após a declaração de pandemia, em 11 de março, todas as provas de natação pura, artística e adaptada, polo aquático, águas abertas e saltos foram canceladas até 31 de julho, numa decisão federativa acompanhada pela criação do projeto “Portugal a Nadar Seguro”, que já reconheceu 12 clubes com “selos de segurança covid”.

“O fator que obstaculiza a permanência das pessoas nas instalações é a confiança, que só é conseguida se elas se sentirem seguras. Este é o primeiro passo e o segundo será alertar em breve as pessoas para a necessidade de retomarem a prática do exercício e da atividade desportiva como fator determinante da sua saúde e bem-estar”, indicou.

Prevendo “quebras de um terço” nos 106 mil nadadores filiados no Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), António José Silva espera que essas iniciativas ajudem a segurar a “trajetória ascendente de praticantes” iniciada em 2013 com o programa “Portugal a Nadar”, frisando que “o meio aquático tratado com cloro é inócuo ao vírus”.

“Mantendo a distância física em contexto social e a proteção necessária na relação professor-aluno ou treinador-atleta, é um fator diferenciador para uma procura mais elevada destas atividades. Os balneários geram alguma desconfiança, mas a sua utilização não está prevista e até se transformou num conceito de vestiário”, referiu.

Às perdas mensais de “meio milhão de euros” nas receitas dos 362 clubes e escolas de natação, a FPN respondeu com apoios de 750 mil euros e menos dias de competição em 2020/21, época que será antecedida com o “primeiro ‘meeting’ internacional pós-covid” entre as seleções olímpicas de Portugal, Espanha e Brasil, entre 14 e 16 de agosto, em Portimão.

“O país tem quatro milhões de quilómetros quadrados de zona económica exclusiva de mar, o que faz com que a subsistência e o saber estar na água sem se afogar seja determinante. Apesar de tudo, este fator cultural subliminar pode levar as pessoas a aumentar a sua frequência em meios aquáticos neste período balnear”, afiançou.

Tal como o regresso progressivo da natação, que deu prioridade aos atletas de alto rendimento, “cerca de 40%” dos clubes de ginástica já retomaram as atividades presenciais e “mais de 35% preveem fazê-lo até 15 de julho”, numa modalidade que aponta os campeonatos nacionais desta temporada para o último trimestre.

“Não só dá um horizonte competitivo aos praticantes atuais, como motivará quem vai entrar a partir de setembro. Os ‘novatos’ terão logo a oportunidade de integrar eventos, alguns de caráter não competitivo, com uma carga social mais intensa e uma parte mais afetiva da ginástica”, contou à agência Lusa o presidente da FGP, João Paulo Rocha.

A par do calendário alternativo, estão a ser montadas campanhas promocionais com “materiais gráficos e audiovisuais” para contrapor os impactos financeiros de três meses de inatividade, estimados em três milhões de euros, que levaram 75% dos 261 clubes inquiridos pelo organismo a prever a redução de praticantes “numa média de 35%”.

“Pretendemos amplificar um sinal que mostre a beleza, a adrenalina e outras emoções positivas associadas à ginástica, que é uma modalidade para a vida: tem oito disciplinas, atletas dos cinco aos 80 anos, inclui meios desfavorecidos e faz um grande apelo ao sexo feminino. Estas características já atraem um grande número de pessoas”, afiançou.

Com 21.500 filiados nos quadros do IPDJ, João Paulo Rocha assume precisar de “uma energia muito grande” para evitar uma “calamidade desportiva”, estando a instruir 900 ginastas, treinadores, dirigentes e pais sobre o “regresso prudente” aos pavilhões, atribuindo certificados como se fossem “um elemento comunitário de confiança”.

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