Especialistas em desempenho desportivo discutiram hoje o processo de aclimatação dos atletas portugueses que vão participar nos Jogos Olímpicos Tóquio2020, adiados para 2021, concordando que a aclimatação é essencial para um bom resultado.

Segundo o diretor de medicina desportiva do Comité Olímpico de Portugal (COP), José Gomes Pereira, uma boa aclimatação ao calor que será sentido na capital japonesa "pode mitigar os efeitos negativos do stress térmico".

Gomes Pereira participou numa sessão por videoconferência com o chefe de missão do COP, Marco Alves, o diretor desportivo do mesmo organismo, Pedro Roque, além dos especialistas Amândio Santos, da Universidade de Coimbra, e Nuno Costa Pereira, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Com vários atletas apurados ou em busca do apuramento para Tóquio2020 na assistência, além de treinadores e membros de equipas médicas, a sessão abordou os principais impactos de uma adaptação térmica na performance, uma vez que estes Jogos podem ser os que apresentam "as condições mais difíceis", realçou Pedro Roque.

O diretor apontou insolações e queixas sobre a qualidade da água como alguns dos problemas possíveis, comparando as condições de Tóquio com as do Mundial de 2019 em Doha, capital do Qatar.

A sessão contou com contributos em vídeo de vários atletas que estiveram no Mundial ou em provas em Tóquio no último ano, do tenista João Sousa a João Vieira, Ana Cabecinha ou Salomé Rocha.

Outro dos problemas que se apresenta para a preparação para os Jogos é a incerteza quanto ao calendário e condições devido à pandemia de covid-19.

"Não sabemos quando, como e para onde podemos viajar. Pode vir a ser uma boa oportunidade caso possamos simular este tipo de situações, mesmo que não de uma forma natural, nos sítios onde as provas decorrem", destacou Pedro Roque.

Sobre esta questão, Gomes Pereira comentou a inexistência de "todos os meios e métodos de treino" disponíveis aos competidores, devido às restrições impostas, mas também pelas dificuldades na calendarização.

"Temos um calendário competitivo rigorosamente traçado, uma base para estabelecer a periodização e o planeamento do treino? Não temos. Ninguém arrisca cenários a curto e médio prazo em termos de calendário. Como se planeia um treino?", questionou.

O diretor médico afirmou que será necessária "muita criatividade" para ultrapassar estas limitações. A aclimatação será mais complicada para quem nunca passou por esse processo, enquanto atletas mais experientes terão maior "memória neurofisiológica".

Amândio Santos destacou, igualmente, a importância de um processo 'personalizado' e gradual, devido às respostas diferentes de cada corpo, detalhando o trabalho realizado com a câmara térmica do Laboratório de Aerodinâmica Industrial da Universidade de Coimbra.

Este treino tem sido feito por atletas de várias nacionalidades naquele local, ao longo dos últimos anos, e já tem apoiado na preparação para várias provas, do Mundial de Doha aos Jogos anteriores, Rio2016, procurando habituar o corpo a situações de stress térmico e permitir a menor perda de desempenho possível.

"Um atleta não passa de beber um bidon de água durante os treinos, para passar a beber 10 litros numa prova", exemplificou, sobre a importância de um treino completo, não só focado no momento desportivo.

Em novembro de 2019, o COP divulgou um guia intitulado "Superar o Calor de Tóquio", que reúne informações e conselhos para os atletas que vão participar, e antes, em agosto, Pedro Roque já admitia, à Lusa, que a prova podia ser propensa a "muitas surpresas" devido ao "muito calor e elevada humidade", sendo a adaptação a estes elementos importante para determinar êxito da comitiva lusa.

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