Foi há precisamente 24 anos que se disputou o último Grande Prémio de Fórmula 1 em Portugal. E que prova! Estoril podia ser palco da coroação de Damon Hill como campeão mas o canadiano Jacques Villeneuve tinha outros planos: venceu e adiou a festa do título para a derradeira corrida.

No circuito do Estoril, conhecido na altura como Autódromo Fernanda Pires da Silva, inglês Damon Hill, da Williams-Renault, tinha como missão regressar às vitórias na 15.ª prova do calendário, depois de duas corridas de domínio completo do alemão Michael Schumacher, piloto da Ferrari e bicampeão do Mundo.

Hill chegou com 13 pontos de vantagem sobre o seu companheiro de equipa, o canadiano Jacques Villeneuve, quando faltavam apenas duas provas e 20 pontos em disputa, pelo que só tinha de terminar à frente do seu companheiro de equipa para garantir o título mundial de pilotos, que lhe fugiu nos últimos dois anos de 'duelo' com Michael Schumacher.

Mas Villeneuve também ambicionava conquistar o título e, para continuar a depende de si, tinha de vencer e esperar que Damon Hill terminasse com poucos pontos. Um 2.º lugar de Hill e um 1.º de Villeneuve daria ao britânico uma vantagem de nove pontos para a derradeira corrida, onde só tinha de esperar que o canadiano não vencesse ou, se acontecesse, apenas tinha de somar um ponto para o título.

Mas Hill tinha pressas em resolver a questão do título. Conquistou a pole no dia 21 de setembro, com o tempo de 1:20.330, depois de bater o colega de equipa por escassos 0.009 milésimos de segundo. Havia dobradinha da Williams-Renault.

Na largada Damon Hill conseguiu segurar o primeiro posto e ainda viu Jean Alesi e Michael Schumacher atirarem Jacques Villeneuve para o quarto posto. Mas na 15.ª volta o canadiano foi ousado e, com uma manobra espetacular na parabólica, ultrapassou o alemão, para gáudio da equipa de Frank Williams.

Foi na batalha das boxes que Villeneuve levou à melhor sobre Hill. Na terceira paragem, Hill foi nove décimas mais lento e perdeu a liderança para o colega de equipa. Hill percebeu que não tinha de pressionar muito: bastava apenas segurar o segundo lugar e partir para a derradeira corrida com nove pontos de vantagem. Villeneuve viria a vencer com quase 20 segundos de vantagem sobre o seu colega de equipa. O canadiano percorreu as 71 voltas do circuito em 1h 40mn 22s 915 milésimos.

Michael Schumacher superou o Benetton-Renault de Jean Alesi e foi 3.º. O melhor dos Ferraris tinha ficado a 53.765 segundos do melhor Williams-Renault, que assim cimentou ainda mais a sua liderança no Mundial de construtores com 165 pontos, longe dos 65 da Benetton-Renault e dos 64 da Ferrari.

Era a quarta vitória da época (e também da carreira) para Villeneuve, que chegou aos 78 pontos, contra 87 do comandante Hill, a quem bastaria terminar entre os seis primeiros no Grande Prémio de Suzuka para confirmar a conquista do título. Villeneuve precisava de vencer e esperar que o seu colega de equipa não fizesse qualquer ponto.

Os portugueses que se deslocaram ao circuito nessa tarde de sol não puderam ver brilhar Pedro Lamy. A correr em casa, o Minardi-Ford do português ficou parado na grelha, na largada. Foi às boxes e começou a prova a duas voltas do pelotão. Acabaria por terminar mas a cinco voltas do vencedor.

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