A decisão governamental de proibir público no Grande Prémio de Portugal de MotoGP, em Portimão, foi recebida “com tristeza”, mas também “com sentido de responsabilidade”, disse na passada quarta-feira o presidente da Federação de Motociclismo de Portugal (FMP).

Em entrevista à agência Lusa, Manuel Marinheiro admitiu que a expectativa era elevada para voltar a receber uma prova da categoria rainha da velocidade com público nas bancadas, oito anos depois, mas lembrou que, acima de tudo, “é necessário cumprir as decisões que são tomadas por quem de direito".

“Podemos concordar, ou não, mas são essas entidades que têm supostamente a competência e, principalmente, a informação para as tomar. A decisão está tomada e temos de a acatar. Vi a decisão com tristeza e com estupefação, porque pensei que seria possível conciliar a segurança sanitária com a importância que teria para a economia do Algarve”, admitiu Manuel Marinheiro, a poucos dias do arranque da 14.ª e última etapa do Mundial de motociclismo de velocidade, no Autódromo Internacional do Algarve (AIA).

A presença de público seria também “um prémio muito merecido” para o piloto português Miguel Oliveira (KTM), “por tudo o que tem feito no MotoGP e em prol do nosso país”, mas o apoio ao 10.º classificado do Mundial vai ter de ser transmitido de outra forma.

“Irá com certeza haver [apoio] fora do circuito, mas não é a mesma coisa. Seria muito bom que ele pudesse sentir esse calor humano e esse apoio que todos nós queríamos e queremos manifestar. Não é possível, é a vida. Ou, dito de outra forma, é a pandemia”, lamentou Manuel Marinheiro.

Mas, se a pandemia não vai permitir, por um lado, que o piloto de Almada tenha apoio nas bancadas, em Portimão, também ajudou, por outro, a que Portugal assistisse, este ano, a uma quantidade invulgar de provas de motociclismo a contar para os campeonatos mundiais das respetivas modalidades.

Além do MotoGP, que não estava calendarizado, a FMP acabou por organizar também uma prova do Mundial de Resistência, que não estava prevista, e ter duas provas do Mundial de Superbikes, duas do Mundial de Enduro e também duas do FIM CEV Moto Júnior, quando só estava prevista uma de cada competição.

“É óbvio que, em situação normal, que esperemos que seja já em 2021, não vão ser atribuídas ao mesmo país duas provas do campeonato do mundo. Iremos fazer aquelas que já vínhamos fazendo e, agora, também o MotoGP”, admitiu o presidente da FMP, recordando que existe já um acordo entre o AIA e a Dorna, organizadora do Mundial de MotoGP, para que o circuito de Portimão integre o campeonato a partir de 2022.

A realização de todas estas competições em Portugal tem a ver com “o trabalho que a FMP tem vido a desenvolver”, garantiu Manuel Marinheiro, “sem falsas modéstias”, mas principalmente com a capacidade que os clubes organizadores têm demonstrado para “organizar elementos de exceção” e com a oportunidade de ter um português, Jorge Viegas, na liderança da Federação Internacional de Motociclismo (FIM).

“Ele, melhor do que ninguém, sabe quais são as nossas capacidades e tem-nos permitido essas oportunidades. Não por as retirar a ninguém, mas pura e simplesmente quando outros países ou noutros locais não é possível ou não querem organizar, nós cá temos conseguido fazê-lo com segurança e com a capacidade que já temos vindo a demonstrar”, frisou Manuel Marinheiro.

O AIA recebe, de sexta-feira a domingo, a 14.ª e última etapa do Mundial de MotoGP, categoria ‘rainha’ do motociclismo de velocidade, numa corrida que decorrerá à porta fechada, devido à pandemia de covid-19, depois de ao longo de vários meses estar prevista a presença de espectadores no circuito.

Miguel Oliveira procura a segunda vitória da carreira na categoria, depois de ter vencido o GP da Estíria, na Áustria, em 23 de agosto.

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