A World Rugby (WR) aprovou hoje uma proposta originalmente submetida pela Federação Portuguesa que revoluciona a lei da elegibilidade de jogadores para as seleções nacionais, confirmou à Lusa o presidente do organismo nacional, Carlos Amado da Silva.

A alteração vai permitir, já a partir de 2022, que qualquer internacional que não jogue por uma determinada seleção há pelo menos três anos possa passar a representar outro país, desde que tenha nascido nesse território ou prove ter ascendência de pais ou avós dessa nacionalidade.

Cada internacional poderá, no entanto, “mudar de federação apenas uma vez, sujeito a demonstração de vínculo estreito e confiável com a nova federação por meio de direito de nascença”, esclareceu, entretanto, a WR.

Em comunicado, o organismo que superintende o râguebi mundial explica, ainda, que cada pedido de mudança de federação estará sujeito à aprovação da Comissão Mundial de Regras da modalidade.

“Finalmente. Foi uma ‘guerra’ de quase 10 anos”, desabafou Carlos Amado da Silva, contactado pela agência Lusa.

“Isto tudo começou com a história do [Thomas] Laranjeira. A minha proposta inicial era mais genuína, contemplava apenas jogadores que nunca tivessem jogado na seleção principal. Mas, depois, a WR perguntou-me se estaria disposto a alargar para qualquer jogador que não jogasse há mais de três anos por um país, pois assim poderia colher também o apoio de vários países do Pacífico”, esclareceu o líder federativo.

Atualmente, segundo as regras da WR, qualquer jogador está ‘preso’ ao país pelo qual escolhe jogar pela primeira vez, mesmo que seja nas seleções de formação, “em qualquer escalão até aos sub-20”, explicou Amado da Silva.

Por exemplo, Thomas Laranjeira, e também de Stevie Cerqueira, ambos do Brive (Top 14 de França) e mencionados pelo presidente da FPR, enquadram-se nesta situação, uma vez que estavam impedidos de representar Portugal, apesar do “interesse demonstrado”, pois já tinham alinhado em seleções jovens de França.

A alteração entra em vigor já em 2022 e, por isso, pode beneficiar a seleção portuguesa a tempo da qualificação para o Mundial França2023, mas Amado da Silva fez questão de frisar que “o objetivo não é esse”.

“Que isso fique bem claro. O Laranjeira e o Cerqueira são casos diferentes, porque já estavam a ser trabalhados há muito tempo e vamos ver. Mas não quero mexer no grupo, porque é muito bom. Não vamos andar a correr atrás de jogadores para tirar o lugar a quem está a trabalhar bem”, sublinhou o presidente da FPR.

Além de Portugal, com o caso dos lusodescendentes nascidos, sobretudo, em França, a mudança de regras deve beneficiar também várias outras seleções mais ‘modestas’ no râguebi mundial, especialmente das ilhas do Pacífico, regularmente ‘saqueadas’ pelas grandes potências do hemisfério sul, mas também do norte.

A agência France-Presse aponta os exemplos do três quartos de centro do Bristol, Charles Pitau, que após 17 internacionalizações pela Nova Zelândia, entre 2013 e 2015, pode vir a representar a seleção de Tonga.

Ou do terceira linha Nathan Hughues, que pode passar a jogar pelas Ilhas Fiji depois de ter representado a Inglaterra em 22 encontros entre 2016 e 2019.

No caso português, “até o Morgan Parra”, nascido em Metz, mas filho de um português, 71 vezes internacional francês desde 2008, pode vir a estar elegível para os ‘lobos’, uma vez que “não joga pela França há cerca de dois anos”, exemplificou Amado da Silva, frisando que essa possibilidade “não está em cima da mesa”.

Já Cedate Gomes Sá, pilar de 28 anos, do Racing 92, que também já jogou pela equipa principal dos ‘bleus’ (quatro internacionalizações), “pode interessar, potencialmente”, apesar de ainda não existirem diligências nesse sentido, admitiu Amado da Silva.

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