A contratação do britânico Lewis Hamilton pela Ferrari a partir de 2025 é “o casamento perfeito”, consideram dois especialistas em economia e marketing ouvidos pela Lusa.

O piloto britânico vai mudar-se para a Ferrari na época 2025, após 12 anos na Mercedes, equipa com a qual conquistou seis dos sete campeonatos que possui no currículo.

Paulo Reis Mourão, professor de economia na Universidade do Minho, investigador e autor do livro The Economics of Motorsports: the case of F1 [A economia dos desportos motorizados: o caso da F1] admite que o anúncio, na quinta-feira, desta mudança a partir de 2025 gerou “alguma expetativa” entre os adeptos da modalidade, enquanto Daniel Sá, Diretor do Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM), sublinha que este é “o casamento perfeito”.

“Temos o piloto mais valioso da atualidade em termos de número de títulos conquistados, que extravasa a própria Fórmula 1, e a marca mais mítica, que não tem sido muito vencedora. É o casamento perfeito”, frisa Daniel Sá.

Para este especialista em marketing, em termos desportivos, “a Ferrari terá avaliado se Hamilton poderá ser um apoio a Charles Leclerc, mais jovem”, mas, “em termos de marketing, Hamilton é uma marca sólida”, pelo que não considera existir “qualquer risco de desvalorização”, apesar dos 39 anos do piloto britânico.

Pelo mesmo diapasão afina o investigador Paulo Reis Mourão: “Por um lado, Hamilton está a entrar numa idade madura, apesar de já termos, nesse aspeto, algumas surpresas com sucesso desportivo, como é o caso do espanhol Fernando Alonso. Por outro lado, [a presença de] Lewis Hamilton pode ser um estímulo para valores emergentes dentro da Ferrari”.

Paulo Reis Mourão considera, ainda assim, que esta operação tem um desígnio evidente, considerando que “é claramente uma operação de marketing”.

O investigador natural de Vila Real lembra que, “tal como acontece noutros desportos, como no futebol, o movimento de atletas a partir dos 35 anos” entende-se, claramente, como “marketing desportivo”.

“Os resultados nunca serão muito surpreendentes [desportivamente]. Por um lado, pela idade. Por outro, pelo historial. Mas se não apresentar resultados, ninguém lhe vai imputar responsabilidades”, até porque a Ferrari já não vence o Campeonato do Mundo de Fórmula 1 desde 2007, com o finlandês Kimi Raikkonen, referiu.

Reis Mourão lembra que Lewis Hamilton “sairá mais barato hoje do que sairia há cinco anos”.

“O passado retira alguma pressão desportiva ao piloto, que chega a uma equipa carente de resultados. Poderá ser a reforma dourada para muitos pilotos, assim como é a Arábia Saudita no futebol. Há dinheiro mas não há resultados desportivos”, concluiu o investigador transmontano.

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