Esta época desportiva traz-nos dois casos bastante interessantes para analisar o tema de formar ou reconstruir equipas. E formar algo quase do zero ou tentar reconstruir algo a partir do zero? E em que os ‘zeros’ também são diferentes.

Passo a explicar. O Sporting 2013/14 é uma versão quase 100% nova. Treinador, estrutura, dirigentes e muitos jogadores novos. Dos que jogam mais atualmente poucos transitam do onze titular do ano anterior. Houve essa necessidade e tomada de decisão. O Sporting de Leonardo Jardim preferiu começar tudo de novo do que tentar aproveitar o que restava do ano anterior. Com os riscos e benefícios que poderiam daqui advir.

Preferiu instituir o coletivo constituído por jogadores que tinham supostamente menor qualidade que o conjunto de individualidades que estavam no plantel 2012/13. Explicitamente existe aqui uma vantagem e desvantagem: vantagem, partir do zero pressupõe que rotinas negativas são colocadas de lado e é mais fácil formar uma nova consciência coletiva. Risco: vontade e organização não chegam e o plantel está suportado em alguns jogadores com enorme qualidade mas que quando não jogam denotam logo as fragilidades do plantel.

Mas, para os objetivos que estavam definidos para o presente ano, considero que foi a melhor estratégia. Não por uma questão financeira, mas sim, humana. Seria sempre mais fácil recomeçar e formar uma nova equipa do que tentar aproveitar os possíveis cacos que existissem por ali!

O caso do Benfica também é bom estudo de caso. Ao contrário do Sporting o risco do começar do zero e formar uma nova equipa era desprezar a boa matéria-prima existente. O risco de reconstruir seria a dificuldade de contornar a péssima consciência coletiva de perda que se instituiu por ali e os casos de liderança mais conturbada existentes no final do jogo com o V.Guimarães.

A estrutura benfiquista decidiu dar pequenos retoques e reconstruir a partir do muito que tinha ficado. Um muito que era composto por várias ‘quase vitórias’ e algumas incertezas de maior dificuldade em termos de plantel. Jogadores que estiveram em algumas das situações mais visíveis em termos mediáticos foram afastados: Melgarejo, Roderick e Carlos Martins.

Jorge Jesus, que começou mal a época com a derrota na Madeira, agarrou-se em demasia na minha opinião ao que restava da anterior. E há que reconhecer que algumas lesões possibilitaram o aparecimento de outros jogadores, como Oblak, Markovic e Rodrigo, e que Jorge Jesus cedeu ou foi obrigado a aceitar a necessidade de alterar questões mais táticas.

A fórmula para se atingir uma equipa eficiente e com os princípios que moldam as equipas vencedoras não existe. Ou melhor, não tem apenas uma via! E estes são dois bons exemplos como os treinadores de diferente forma alcançaram alguns dos seus objetivos. 

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