Para a maior parte da sociedade supersticiosa “o destino marca a hora”. Contudo, no futebol é a eficácia nos instantes decisivos que marcam o jogo. Os intérpretes como parte integrante das equipas são os responsáveis pela construção do destino. Este jogo teve imensos momentos pré-decisórios quanto ao clube que iria à final.

A hora surgiu cedo, mas não foi aproveitada. Logo aos quatro minutos, Higuaín rematou para golo, mas Weidenfeller, protegido pelo “destino”, defendeu sem saber, com o pé. Aos quatorze, Ronaldo recebeu no peito, disparou e a bola embateu no corpo do bafejado guarda-redes. Aos dezanove, Ozil isolado frente a Weidenfeller, o qual saiu ao seu encontro, rematou ao lado, quando deveria passar a bola a Ronaldo para este à vontade a meter na baliza.

A oportunidade de dar a volta ao jogo nestes vinte minutos iniciais foi proporcionada pelo “destino”, só que foi desaproveitada pelos jogadores. Mas como o jogo é jogado por duas equipas, nesse período, aos doze minutos, Lewandowski isolado poderia num ápice ter arrumado a eliminatória a favor do Borussia.

Até ao final da primeira parte o jogo não teve mais nenhuma situação de relevo. Mas no início da segunda os alemães até aos sessenta e dois minutos também só não marcaram porque o futebol é um jogo de emoções e os deuses do futebol fizeram sofrer os germânicos. Recorde-se, Lewandowski fulminou rematando à trave, momentos depois Gündogan viu Diego López realizar uma defesa do outro mundo e por fim o avançado polaco esteve outra vez perto de marcar.

Sentido que os alemães estavam por cima, Mourinho agiu ao fazer entrar em campo Kaká e Benzema. O jogo nos últimos trinta minutos transformou-se numa ópera e como é habitual nestes espetáculos acabou tragicamente para o Real. Os deuses não brincam e se já tinham castigado o Real pela inoperância inicial, agora puniram também a ineficácia do Borussia.

Todavia, o “destino” foi muito severo com os espanhóis. Compreende-se, dado que lhes proporcionou tudo para que resolvessem a reviravolta na etapa inicial. Mas foi um castigo desesperante, de patético, propiciar-lhes a vã esperança de lhes facultar a final. Simultaneamente, também colocaram em pânico os alemães.

Para os amantes deste desporto encantador foi um jogo deslumbrante e delirante, com os adeptos em transe na espera e na dúvida do resultado final. De facto os golos marcados por Benzema e Sérgio Ramos levaram ao rubro o Chamartin ao despoletarem a possibilidade de o Real-Madrid vir a conquistar a décima Liga dos Campeões. Os golos têm momentos. Se os desperdiçados inicialmente davam para uma reviravolta histórica, os concretizados contudo surgiram muito tarde.
 

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