Foi o tema quente da última semana no futebol mundial: 12 gigantes europeus oficializaram e materializaram uma ideia que pairava há já alguns anos – a da criação de uma Superliga europeia que, no caso, surgiria por substituição à Liga dos Campeões.

Entre o formato com algumas diferenças relativamente à ‘Champions’, o ponto que motivou uma quase unanimidade entre os adeptos da modalidade no que à rejeição da competição diz respeito foi o da exclusividade dada aos clubes fundadores e a mais alguns convidados pelos próprios. Tivesse a ideia avançado, estaríamos perante o fim da relação mérito/recompensa que, como Pep Guardiola referiu, é um dos princípios basilares do desporto e da competição.

Vídeo: As histórias que uma Superliga nos poderia roubar

Para medir bem o impacto que esta Superliga poderia ter no futebol, e uma vez que futurologia não é possível fazer, recordemos alguns dos grandes episódios que de acordo com os trâmites apresentados seriam impossíveis de suceder.

O título europeu do FC Porto de José Mourinho

Na era dos galácticos, com os quais os dragões calharam em sorte na fase de grupos (além de Marselha e Partizan), José Mourinho surpreendeu tudo e todos – embora na época anterior já tivesse conquistado a então Taça UEFA – e bateu a concorrência, conquistando a Liga dos Campeões. Para isso, além do super Real Madrid de Luís Figo, Zidane, Ronaldo, David Beckham e companhia, a equipa enfrentou o Manchester United de Cristiano Ronaldo e Alex Ferguson, bem como o Deportivo da Corunha nas meias-finais e o Mónaco na derradeira final.

José Mourinho e os seus métodos marcaram uma era, mas com a tão badalada Superliga Europeia… nenhum dos dois finalistas poderia sequer ter entrado na competição.

Os momentos da carreira de José Mourinho
A vitória em 2004 da Liga dos Campeões, com o FC Porto. créditos: EPA/OLIVER BERG

O Villarreal de Riquelme, Forlán e companhia

Dois anos mais tarde, em 2005/06, foram os espanhóis do submarino amarelo, como é conhecido o Villarreal a surpreender o mundo do futebol, alcançando as meias-finais da Liga dos Campeões, onde perderam no agregado das duas mãos por apenas 1-0, com o Arsenal (que viria a ser derrotado pelo FC Barcelona na final).

Embora se tratasse de um modesto clube, o Villarreal conseguiu reunir nas suas fileiras Juan Román Riquelme, Diego Forlán, Marcos Senna, Sorín, o jovem Santi Cazorla e, claro, o técnico Manuel Pellegrini, que conseguiu implementar um futebol atrativo e simultaneamente eficaz.

Apesar de um grupo difícil com Manchester United, Lille e… Benfica, os espanhóis não só seguiram em frente a par do Benfica, mas fizeram-no no 1.º lugar. Depois eliminaram Rangers e Inter de Milão e caíram perante os ingleses do Arsenal, numa eliminatória marcada pela grande penalidade desperdiçada pelo craque da equipa, Riquelme. Acabou por saber a pouco, mas ainda assim soube tão bem ver aquele outsider a bater-se entre os grandes.

Villarreal-Arsenal: Riquelma falha grande penalidade aos 89 minutos
Villarreal-Arsenal: Riquelma falha grande penalidade aos 89 minutos

O luso-francês Mónaco de Leonardo Jardim

Com um investimento forte no plantel, mas focado sobretudo em jovens de grande potencial, o Mónaco intrometeu-se entre a elite europeia em 2016/17. Leonardo Jardim era o treinador e, além de bater o todo-poderoso PSG em plano interno, quebrando a hegemonia dos parisienses na Ligue 1, conseguiu também fazer uma gracinha na Europa.
Com Bernardo Silva e João Moutinho como titulares indiscutíveis, além de Mbappé, Falcao, Fabinho ou Mendy, a equipa superou todas as expetativas ao bater o pé ao Manchester City de Pep Guardiola e depois o Borussia Dortmund de… Thomas Tuchel.

Nas meias perdeu com a Juventus, mas foi mais um belo exemplo de uma equipa que fez da qualidade e competência as suas armas para equilibrar uma balança que parecia irremediavelmente desequilibrada a favor dos colossos.

Juventus-Mónaco
Bernardo Silva reage ao falhar um golo créditos: EPA/GUILLAUME HORCAJUELO

O Ajax dos miúdos que por muito pouco não chegaram à final

Mais recentemente, é quase impossível não pensar na caminhada de um Ajax liderado por miúdos – uns da formação, outros contratados muito cedo – que encantaram a Europa não só com os seus fantásticos resultados, mas também com exibições que fizeram recordar a identidade que Cruyff deixou para sempre ligada ao clube de Amesterdão.

Com Frenkie de Jong, De Ligt, Ziyech, Van de Beek e Tadic a serem os principais destaques individuais da equipa, foi mesmo a força de um coletivo e de uma ideia de jogo corajosa e ambiciosa a possibilitar ao Ajax eliminar nos oitavos de final o Real Madrid e nos quartos a Juventus – curiosamente, ou não, dois dos principais impulsionadores deste projeto da Superliga Europeia.

A queda viria a ser com o Tottenham, numa eliminatória dramática em que os holandeses estiveram sempre a comandar, mas em que um hat-trick de Lucas Moura com o terceiro golo a ser alcançado já no período de descontos fez as esperanças do Ajax caírem por terra.

Ajax vs Tottenham Hotspur
Festejos dos jogadores do Ajax. créditos: EPA/OLAF KRAAK

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