Muito já se escreveu sobre este Flamengo vitaminado por muito dinheiro em caixa e que fez boas contratações para o ano, além de apostar no genioso treinador português Jorge Jesus, que assumiu o leme da equipa carioca na metade da temporada brasileira. Seis meses depois da chegada do mister ao Rio de Janeiro, o clube conquistou sua segunda Taça Libertadores, após um hiato de 38 anos, e o título nacional dez anos depois, e com várias jornadas de antecedência. Este Flamengo que tem como última missão no inesquecível ano de 2019 a conquista do mundo, e como fora em 1981, com a possibilidade de enfrentar o Liverpool na decisão do Mundial de Clubes, que decorrerá no Qatar nas próximas semanas.

Antes da viagem para o Médio Oriente, as formalidades das últimas jornadas do Brasileirão, pois assim tem sido para os rubro-negros. E sem tirar o pé do acelerador, quem pagou pelos pecados foi o já rebaixado Avaí, lanterna mais que vermelha do campeonato. Com alguns suplentes entre o estrelado elenco, a goleada por 6-1, no último jogo do ano do Flamengo no estádio Maracanã, teve toque de classe no belo golo de Diego e em mais um de Gabriel, o 25ª do camisola 9 neste Brasileirão. Ao se observar a tabela dos melhores marcadores do campeonato, atrás de Gabigol está Bruno Henrique, com 21 golos, e a brigar para terminar no pódio dos artilheiros está o uruguaio Arrascaeta, com 13, um a menos que Gilberto, avançado do Bahia. Isto quer dizer que além de destroçar os adversários, chegar a impensáveis 90 pontos, um recorde para o Campeonato Brasileiro, o Flamengo ainda pode emplacar no ano os três melhores marcadores da competição. Viva o futebol ofensivo que Jesus pôs em prática!

Mas como em todos os campeonatos, a festa dos campeões contrasta com os antagonistas da bola, e neste Brasileirão, quem está a decepcionar de todas as formas é o Cruzeiro, histórico clube de Belo Horizonte, detentor, entre outros, de quatro títulos brasileiros, seis da Copa do Brasil e ainda duas Libertadores. Sendo um dos grandes do futebol local, o Cruzeiro vive a mais dramática situação de sua quase centenária história, estando à beira da despromoção pela primeira vez. Com investimentos duvidosos e membros da direção do clube afastados pela Justiça após uma série de denúncias de todos os tipos de crimes financeiros, a situação da Raposa beira o caos. Vários jogadores já com idade avançada e uma alta folha de pagamentos, empréstimos bancários a perder de vista nos últimos anos, isto após uma das mais prósperas décadas da história do clube, que foi campeão nacional em 2013 e 2014 e da Copa do Brasil em 2017 e 2018. O modelo de gestão, amador e com vários indícios de irregularidades, precisa mesmo ter fim no futebol brasileiro. Talvez a queda do Cruzeiro para a segunda divisão do Brasileirão represente o fim desse modo de se ‘organizar’ o futebol brasileiro. Um pena para os milhões de adeptos cruzeirenses, mas que seja uma lição importante para o futuro. Ainda falta uma jornada para o fecho das cortinas no Brasileirão’2019, e para uma improvável salvação do Cruzeiro, além de vencer em casa o Palmeiras, vai precisar e muito da ajuda do Botafogo para derrotar o Ceará, o único clube ainda ameaçado de descida. Com os botafoguenses já sem aspirações para o jogo de domingo, a tendência é mesmo uma inédita queda de divisão para um dos mais vitoriosos clubes do futebol brasileiro.

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