O fim precoce do futebol de formação em 2019/20 devido à pandemia de covid-19 pode ter impacto “a curto e médio prazo” do desenvolvimento cognitivo, psicossocial e motor dos jovens, explicou à Lusa um especialista em treino desportivo.

O coordenador do gabinete de futebol da Escola Superior de Desporto de Rio Maior (ESDRM), João Paulo Costa, reconheceu que a avaliação do impacto da paragem provocada pelo novo coronavírus, desde 10 de março, vai depender da duração das medidas de distanciamento social.

“Se não forem tomadas medidas na estimulação cognitiva, psicossocial e motora dos jovens poderemos ter consequências a curto e médio prazo. Mas, a nível geral, creio que tudo dependerá da longevidade de toda esta situação e, a nível específico, dos consequentes constrangimentos de cada contexto, como idade, área e local de residência, tipologia da habitação ou enquadramento familiar e social”, explicou.

O docente da escola riomaiorense considera esta suspensão da atividade uma avaliação à “resiliência”, sem conseguir apontar qual a componente mais afetada, se a física ou a mental.

“Creio que dependerá da longevidade e do contexto específico da cada um. Neste caso, tudo para nós é novidade. A adaptação e readaptação tem sido diária. Numa fase inicial, parece que estamos a descansar física e mentalmente e numa fase posterior, parece-nos que já estamos exaustos física e mentalmente de estarmos em casa. E, se não nos exercitarmos, física e cognitivamente em termos psicossociais, as consequências serão, certamente, notórias”, explicou.

Em relação à maneira como clubes e jovens jogadores podem mitigar este impacto, João Paulo Costa admitiu que não existem receitas para todas as necessidades.

“Será preponderante o seu contexto em geral e o familiar em particular. Os erros poderão ser muitos e antagónicos. Isto é, podemos pensar que pior do que fazer mal é não fazer. E, então, fazemos o que os outros fazem, por imitação, não tendo em consideração o contexto e as características de cada jovem”, frisou.

Nesse sentido, apontou o exemplo de desportistas que regressam “mais fortes e resilientes” após longos períodos de paragem por lesão.

“O nosso desafio é encarar estas dificuldades como oportunidades para desenvolvermos competências, essencialmente, cognitivas, psicossociais, de resiliência e superação. Poderão existir marcas, mas acredito que podemos trabalhar para serem positivas”, defendeu.

No entanto, João Paulo Costa alertou para consequências a médio prazo, que não serão para já visíveis nos jovens.

“A fobia acontecerá com naturalidade e será por todos nós compreendida em função da constante receção de imagens sobre o impacto desta pandemia a nível mundial. Seremos nós, os principais atores na sua gestão”, rematou o antigo treinador dos angolanos do Recreativo Libolo, que conta ainda passagens por Benfica e Sporting, além de experiências como observador, coordenador de 'scouting', treinador adjunto e selecionador distrital.

A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) decidiu cancelar os campeonatos nacionais de futebol e futsal dos escalões de formação da época 2019/20, em 27 de março, numa decisão acompanhada pelas 22 associações distritais e regionais, praticamente duas semanas depois da suspensão destas competições.

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