Em entrevista à agência Lusa, o técnico português, que hoje orienta o seu primeiro treino no clube da capital espanhola, classificou o Barça como “uma equipa já construída” e que “joga de olhos fechados”, enquanto o Real Madrid “vai à procura de uma identidade” e de “uma dinâmica que lhe permita competir a esse nível”.

Segundo José Mourinho, o Barça possui “uma filosofia de clube que se tem mantido praticamente inalterada com todos os treinadores”, desde o tempo de Rinus Michels, passando por Johan Cruyff, Louis van Gaal, Frank Rijkaard e, agora, Pep Guardiola.

“É uma filosofia que se mantém inalterável, é uma equipa com uma dinâmica instituída, contra uma equipa que vai à procura de uma identidade, vai à procura de uma dinâmica que lhe permita competir a esse nível. Agora, obviamente, eles podem partir à frente, mas nós queremos chegar ao mesmo tempo, ou queremos chegar à frente”, sublinhou.

Para o campeão europeu de 2010 com o Inter de Milão, a conquista da Liga espanhola “é uma ambição lógica para um clube da dimensão do Real, que tem grandes jogadores, que pode não ter neste momento uma grande equipa, mas tem alguns jogadores de primeiríssima água, alguns dos melhores do Mundo”.

Mourinho frisou que estes jogadores “gostam de ganhar” e “frustram-se por não ganhar”, adiantando: “Se calhar, encontro-os numa fase motivacional alta, porque querem ganhar. Jogadores tipo Ronaldo e Kaká não podem estar um ano, dois anos, três anos sem ganhar nada e talvez seja uma motivação extra para eles que eu vou tentar aproveitar”.

O técnico português diz que a Direcção “merengue” não lhe fez qualquer pedido especial quando o contratou: “Não pediu nada. Pediu que eu tomasse conta, entre aspas, de uma área onde eles não são especialistas, obviamente – o treinador é que é o verdadeiro especialista da área de gestão de uma equipa de futebol -, com um perfil diferente dos outros treinadores que eles nos últimos anos têm tido”.

“Com a excepção do Fabio Capello, que quando esteve como treinador do Real já tinha atrás de si um grandíssimo currículo, todos os outros são treinadores que vieram para o Real à procura de criar um currículo. Quando chegaram cá vinham a ter de provar tudo e com uma diferença de estatuto entre eles e os jogadores que o Real tinha”, adiantou.

Por isso, os dirigentes do clube “quiseram escolher um treinador com um perfil diferente, um treinador que tivesse tantas ou mais vitórias que os jogadores, tanto ou mais status que os jogadores e que pudesse, de certa maneira, motivar, organizar, estruturar”.

“Estou aqui com responsabilidades de estruturar um clube numa outra direcção, que é a direcção também do sucesso desportivo. Porque o Real é, seguramente, o maior clube do Mundo e o maior clube do Mundo não pode estar dois, três, quatro anos sem ganhar nada, não pode estar 10, 15, 20 anos sem ganhar uma ‘Champions’, ainda que já tenha ganho nove”, frisou.

Mas Mourinho recorda que a Liga espanhola “é um campeonato onde existe a melhor equipa do Mundo neste momento”, o Barcelona, e a Liga dos Campeões tem todos os anos “cinco, seis, sete equipas que a querem ganhar”.

“E isso é mais um desafio para o Real e é mais um desafio para mim, porque quando se tem no campeonato uma equipa da dimensão do Barcelona obviamente é mais difícil ganhar”, rematou.

Seja o melhor treinador de bancada!

Subscreva a newsletter do SAPO Desporto.

Vão vir "charters" de notificações.

Ative as notificações do SAPO Desporto.

Não fique fora de jogo!

Siga o SAPO Desporto nas redes sociais. Use a #SAPOdesporto nas suas publicações.