A funcionária do organismo de controlo de tráfego aéreo da Bolívia que alertou para irregularidades no voo da companhia aérea Lamia, que na semana passada caiu vitimando 71 pessoas, disse hoje ter sido alvo de pressões.

Celia Castedo que, antes da partida do avião em que seguia a equipa de futebol brasileira do Capecoense, questionou a circunstância de a duração estimada do voo ser igual à autonomia declarada, pediu entretanto asilo no Brasil.

Numa carta publicada hoje pelo jornal boliviano El Deber, a funcionária da empresa Aeroportos e Serviços Auxiliares da Navegação Aérea (AASANA), Celia Castedo escreve que depois do acidente foi alvo de “pressões” por parte dos seus superiores.

A 29 de novembro, no dia posterior ao acidente, a funcionária diz ter sido coagida a “alterar o conteúdo do relatório” que apresentara internamente, elencando as observações sobre o plano de voo submetido pelo comandante da Lamia.

Na missiva, a funcionária da AASANA sustenta que a autorização para a realização do voo não lhe competia, nem do organismo a que pertence, mas sim à Direção Geral de Aeronáutica Civil.

“A minha assinatura e carimbo no plano de voo não representam uma aceitação do documento nem uma autorização a uma aeronave para a realização de um voo”, escreveu.

Castedo disse ter apresentado cinco observações ao plano de voo em três ocasiões, a primeira duas horas antes da descolagem e a última vinte minutos antes, todas incidindo sobre a circunstância de a autonomia declarada ser insuficiente para a realização do voo.

As autoridades bolivianas alegam que Castedo apresentou o relatório depois do acidente e sustentaram que Castedo estava obrigada a informar os seus superiores das objeções detetadas e recusar o plano de voo tal como foi entregue pela companhia.

A AASANA suspendeu Castedo no dia 30 de novembro e denunciou-a junto da justiça em Santa Cruz.

O avião da companhia boliviana Lamia despenhou-se na noite de 28 de novembro perto de Medellín. Morreram 71 das 77 pessoas que seguiam a bordo, incluindo a maioria dos jogadores da Chapecoense, dirigentes do clube e membros da equipa técnica, convidados e jornalistas que acompanhavam a equipa, assim como tripulantes do avião.

Sobreviveram seis pessoas, três jogadores, dois tripulantes e um jornalista.

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