Cláudia Neto tornou-se na quarta-feira na terceira futebolista portuguesa a atingir a 100.ª internacionalização pela seleção feminina, mas garante que não olha para essas marcas e que apenas quer continuar a ajudar a ‘equipas das quinas’.

O palco não poderia ter sido o melhor, o Estádio Municipal da ‘sua’ Lagos, cidade onde nasceu há 28 anos e na qual deu os primeiros pontapés na bola, no União Atlético Clube de Lagos, embora ainda dentro de uma quadra de futsal. Com a família, a pequena sobrinha, que ‘invadiu’ o relvado no fim do encontro, e amigos na bancada, só faltou o resultado – a Rússia estragou a ‘festa’, com um triunfo por 1-0, na estreia na Algarve Cup.

“Foi um dia muito especial para mim, é muito bom poder jogar aqui na minha cidade e completar 100 internacionalizações, poder jogar com um público fantástico aqui em Lagos e agradeço muito a quem veio apoiar a nossa seleção. Mas sem dúvida que foi um jogo especial para mim”, afirmou.

À agência Lusa, a capitã da seleção, atualmente a atuar no clube sueco Linkoping FC, lamenta o “sabor amargo” que deixou a derrota com a seleção de Leste, mas assegura que a equipa vai continuar a trabalhar para chegar à estreia no Europeu na melhor forma possível.

Com 100 jogos pela equipa principal de Portugal, Cláudia Neto até pode sair da Algarve Cup como a segunda mais internacional de sempre, pois, caso seja sempre utilizada, ultrapassará as 102 partidas de Paula Cristina. Ainda longe está a recordista Edite Fernandes, com 132 jogos.

Contudo, estes números não preocupam Cláudia Neto, que é igualmente a segunda melhor marcadora da história da seleção feminina, com 12 tentos, também longe dos 39 apontados por Edite.

“É algo que acontece naturalmente, eu não penso em atingir marcas. Aconteceu… Obviamente que quero continuar a trabalhar para ajudar a seleção”, disse a jogadora de Lagos, que garante não pensar nos recordes de Edite: “Trabalho todos os dias para ser melhor, não penso em atingir marcas. Simplesmente tenho de trabalhar para ser melhor”.

O início do ano está a ser feliz para a capitã da seleção, que há cerca de uma semana se tornou na primeira portuguesa a integrar o lote das nomeadas para integrar o ‘onze’ do ano da FIFPro (Associação dos Sindicatos dos Jogadores de Futebol).

“Estou muito feliz com o meu trabalho. Acho que é o reconhecimento do meu trabalho, de toda a minha determinação, do meu espírito de sacrifício, de toda a minha entrega, a minha luta e isso deixa-me muito feliz. Obviamente que ver o meu nome entre as melhores do mundo me deixa muito orgulhosa, muito feliz mesmo”, assumiu.

No entanto, Cláudia Neto sabe que dificilmente poderá entrar no ‘onze’, mas “estar nomeada para as melhores do mundo já é muito bom”.

Camisola sete nas costas, braçadeira de capitão no braço e uma das mais internacionais de sempre. As comparações com a seleção masculina acabam por ser naturais, em especial com o camisola sete e capitão, Cristiano Ronaldo.

“Comparam-me com o Cristiano Ronaldo e isso é muito bom, porque ele é o melhor do mundo. É uma comparação que até é bastante engraçada – CN7 – e que não me chateia e que me deixa bastante feliz também”, referiu.

Algumas das suas companheiras de seleção regressaram esta temporada a Portugal, com a entrada de Sporting e Sporting de Braga no campeonato nacional, mas voltar não está, pelo menos para já, nos planos de Cláudia Neto, que nunca jogou futebol a nível sénior em Portugal e passou pelos espanhóis Prainsa Zaragoza e Espanyol, além do Linkoping FC.

“Por enquanto quero continuar a trabalhar fora, continuar a trabalhar nos melhores clubes portugueses. Por enquanto a minha ideia não é ainda voltar a jogar em Portugal”, assumiu Cláudia Neto, que não escondeu o sonho de vencer uma Liga dos Campeões.

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