A direção cessante do Vitória de Setúbal refuta as críticas que o atual presidente do clube, Paulo Rodrigues, deixou em comunicado publicado na sexta-feira à direção anteriormente liderada por Paulo Gomes.

Em carta aberta dirigida a Paulo Rodrigues, eleito presidente no passado domingo, os seus antecessores, que foram acusados de deixar o clube do Campeonato de Portugal num estado lamentável, consideram que o comunicado foi “uma facada no coração já débil do nosso Vitória”.

“Gostaríamos de ter ouvido boas notícias e um discurso positivo, algo que nos fizesse sonhar ou pelo menos perspetivar um caminho que nos pudesse transportar para outros patamares. Contrariamente, optou o presidente por um discurso de raiva, de procura de razões para o insucesso, de impreparação”, acusam.

Um dos temas mais polémicos do comunicado de sexta-feira foi o alegado caos em que a nova direção terá encontrado alguns dos gabinetes onde funciona a SAD, no Estádio do Bonfim, acusação que é desmentida na carta aberta.

“Colocar fotos de salas desativadas e nunca utilizadas desde o mandato de Fernando Oliveira [presidente até dezembro de 2017], expondo o clube à chacota nacional, é um ato mesquinho, premeditado, e que em nada contribui para o crescimento do clube. E tinha tantas fotos dignas para colocar… Ao invés, fez disparar o grau de preocupação dos vitorianos, temendo que afinal, o projeto apresentado possa redundar numa mão cheia de nada e a consequente insolvência da Sociedade Anónima Desportiva, projeto em que não votaram”, escrevem.

Com a exibição de imagens de vários espaços que foram sujeitos a intervenção nos últimos meses, a direção de Paulo Gomes, que estava em funções desde janeiro de 2020, dá exemplos do que fez nos últimos meses.

“Deixamos aqui exemplos do trabalho feito nos wc´s, secretaria da formação, gabinete para a comunicação social e sala Vip de receção às equipas adversárias e visionamento vídeo e iluminação do pavilhão. Poderíamos deixar ainda a nova sala de Bingo, o restaurante “O Ramila”, a sala de bar para pequenos-almoços, os balneários da formação, o novo sistema de aquecimento de águas, a colocação de painéis fotovoltaicos no pavilhão que permitiram reduzir a fatura de luz para metade, a remodelação dos balneários do campo n.º 2 para árbitros e treinadores, os arranjos exteriores do estádio, a nova Loja e a nova Gestão de Sócios que ficaram incompletas”, enumeraram.

A carta aberta recusa liminarmente as acusações de omissão de informação, facto que, segundo o comunicado da atual direção, a impediu de tratar de dossiês prementes como a regularização salarial dos funcionários.

“O Sr. Presidente afirma não ter encontrado a ‘lista dos empregados’. Essa, desculpe-nos, mas chega a ser hilariante. Bastava para o efeito pedir a quem o Sr. teve douta pressa de mandar para casa com um processo disciplinar e que, ao que parece, teve de voltar atrás. Obtendo a lista, bastaria enviar mail para a empresa de contabilidade que processa os salários em regime de outsourcing para o Vitória, pedindo a emissão dos recibos. Parece fácil? E é”, referem.

Na extensa carta aberta, a direção cessante apelida de “surreal” a informação veiculada por Paulo Rodrigues no comunicado.

“Mentir é feio, Sr. Presidente. Mais, tendo em conta a dificuldade que teve em encontrar as ‘listas dos empregados’ para lhes pagar os salários conforme prometeu, foi inclusive enviada a forma de cálculo das margens de comercialização, não fosse também encontrar dificuldades em calculá-la”, afirmam.

A finalizar, a direção cessante confessa-se apreensiva pelo momento atual e lança um repto aos órgãos sociais liderados por Paulo Rodrigues.

“Em jeito de conclusão, deixe-nos pedir-lhe Sr. Presidente, não volte a maltratar o Vitória desta forma. Chame-nos nomes, escreva no Facebook como é usual, maltrate a anterior Direção e as subsequentes se isso o faz sentir bem, mas nunca o Vitória. O que acabou de fazer foi maltratar a um velhinho de 110 anos que está doente. E os velhos não se maltratam. Protegem-se”, vincam.

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